Cubo Mágico

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Siberiano

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O Urso

O Pedido de Casamento

Fotos de Rafael Coelho para as peças O Urso e O Pedido de Casamento, que a gente encenou na semana passada. Tem mais no Flickr.

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Written by Lucas Pretti

dezembro 10, 2008 at 14:18

Pra dar um gostinho…

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Essa música vai abrir os trabalhos na 3ª.

You gave me roses, da banda russa Night Snipers

ou

Ночные Снайперы – Ты дарила мне розы

Written by Lucas Pretti

dezembro 1, 2008 at 0:34

Publicado em Música, Teatro

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O Pedido de Casamento, O Urso

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Agora estou de férias do jornal. Isso deixa as coisas mais fáceis para este Cubo.

Eis o motivo da falta de posts:

Flyer das peças O Urso e O Pedido de Casamento

Como só amigos passam por aqui, não vejo mal em divulgar nosso exame aberto. Não é um espetáculo profissional ainda, mas um exercício de atores. Por isso o cuidado em não se expor. De qualquer forma, vale a diversão e a curiosidade de ver algumas experimentações cênicas e a estréia como ator de várias pessoas que, amanhã, podem estar pelos palcos da cidade. Eu inclusive.

São duas peças curtas do dramaturgo e escritor Anton Tchekhov, comédias clássicas do teatro russo. As narrações se passam na virada do século e contam histórias cotidianas com profundidade psicológica assustadora. As peças de Tchekhov — e aqui está a grande dificuldade — têm personagens com “curvas fechadas”. Eles mudam de opinião e de estado geral em 2 minutos, não esperam a ação toda da peça. É muito difícil construir isso com fé cênica, verdade, se deixando atravessar por uma realidade tão distante da nossa por aqui.

Se você for e puder, leia isso aqui antes (ou depois):

http://pt.wikipedia.org/wiki/Anton_Pavlovitch_Tch%C3%A9khov

http://pt.wikipedia.org/wiki/Imp%C3%A9rio_Russo

http://pt.wikipedia.org/wiki/Stanislavski

http://www.englishrussia.com

http://www.celiahelena.com.br

Tem outra peça de Tchekhov em cartaz na cidade, esta profissional, dirigida pelo Celso Frateschi. É Tio Vânia, outro clássico, lá no Ágora. Falando nela, existe um filme americano de 1994 que adapta o universo de Tchekhov para os EUA, Vania on 42nd Street (Tio Vania em Nova York, em português) Vania on 42nd Street. Fora fitas particulares, só tem uma cópia em VHS desse filme em São Paulo, na 2001 da Washington Luís. Fiz uma cópia em DVD. Quem quiser, mande um e-mail que eu dou um jeito de copiar.

Recado caga-regra: Não vá ao teatro apenas por ir. Pense sobre o que será dito, estude o autor/diretor, pesquise depois da encenação. Aproveite para aumentar repertório, fazer valer o ingresso não apenas como diversão pré-pizza, mas como experiência de vida. Os bons textos e montagens só são realmente transformadores se o espectador permitir.

Última coisa: vasculhando a internet sobre a Rússia, cheguei num vídeo sensacional da campanha do Reagan à presidência dos EUA em 84, quando ele diz “there’s a bear on the woods”. O urso, sim, é a Rússia. Ahá, descobriu o porquê do nome da peça?

Bom, chega de papinho porque ainda são vários ensaios antes de terça que vem.

Written by Lucas Pretti

novembro 24, 2008 at 1:29

Não temos culpa. Merecemos perdão?

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Veja como pode ser perigosa ou esclarecedora a livre associação de conceitos.

Estudando sobre o teatro russo, chegamos inevitavelmente à discussão sobre comunismo. Mesmo porque Anton Tchékov, o autor das peças O Urso e O Pedido de Casamento (que estrearemos em dezembro), viveu no período exatamente anterior à Revolução Soviética. O conceito teórico de “sovietes“, os grupos de cidadãos que se governam a si mesmos, é lindo. Trabalhadores sem patrão decidiriam quanto e como produzir, como seria a divisão dos bens produzidos e a troca de produtos com outros sovietes (o que alimentaria toda a sociedade de todo tipo de material, tudo comum).

Mas não deu certo, como a História provou na URSS, Cuba, Portugal etc. – e parece não haver qualquer dúvida disso. Por quê? Há mil explicações, claro; trezentos milhões de debates já foram realizados em torno disso, e até hoje uma galera nega a falibilidade da coisa. Uma das justificativas a que chegamos nos estudos sobre teatro é que os sovietes derreteram por causa da natureza humana, avessa à democracia pura, socialista.

Nenhum sistema, por menor que seja (como um grupo de teatro, uma redação de jornal), funciona sem comando, por menos autoritário que seja. A liderança, mesmo que sutil e alimentada pelos liderados, acumula poder, nem que seja o da influência. Duas obras de arte recentes mostram e criticam muito bem isso.

O dinamarquês Lars Von Trier, em Dogville, é muito claro em escancarar a natureza humana selvagem, que acaba humilhando e escravizando uma desconhecida quase que gratuitamente, apenas porque havia um ser sobre o qual era possível ter poder (a partir de chantagem). Grace, a personagem de Nicole Kidman, em discussão com o pai mafioso, solta a frase “Os cães não tem consciência nem decidem sobre sua natureza. E por isso devem ser perdoados”. Ela na verdade está falando de humanos. Não conseguimos alcançar o lugar dentro de nós que gira a chave da busca por poder. Então merecemos ser perdoados?

Em Ensaio sobre a Cegueira, o português José Saramago leva ao extremo a opressão do humano pelo humano. Quando todos estão cegos, alguns buscam poder escondendo comida e pedindo objetos e favores sexuais em troca. Era um momento que a união talvez fosse decisiva para tirá-los da situação de exclusão. Os próprios humilhados, por serem vingativos, acabam alimentando o sistema. Mas fazer o quê? Se perdoassem, talvez fossem arrogantes (no conceito trazido em Dogville): o perdão, no filme, é o mais arrogante dos gestos, pois mostra ao perdoado toda a suposta superioridade de quem está perdoando. Difícil haver pureza de fato.

Com tudo isso, a discussão leva naturalmente a justificar os regimes autoritários. Seriam “naturais”, “essenciais” de acordo com a natureza humana. A democracia poderia ser a forma artificial encontrada para todos sobreviverem, já que de outra forma a espécie seria dizimada, autodestruída. E mais: os ditadores deveriam ser perdoados. É da natureza deles, como os cães.

Pior ainda. Concluimos com tudo isso que é humano ser capitalista. Certo ou errado?

Stanislavski bem traduzido

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Quem estuda teatro sabe que não se pode confiar nas traduções dos livros brasileiros de Stanislavski. O diretor russo que baseia todo o método de interpretação naturalista chegou ao Brasil em edições re-re-editadas. O original primeiro virou francês, depois inglês (pela mão de americanos — e portanto inimigos dos russos) e só então português. Por isso, é de muito valor encontrar traduções que mantiveram o sentido original dos conceitos de Stanislavski.

Tive acesso a um desses raros textos, Ética, na verdade um livro inacabado, e disponibilizo para leitura e download. Have fun.

[Atualização 2/1/2009: o diretor e crítico de teatro Robson Camargo, da Universidade Federal de Goiás, fez umas correções importantes nesse post. Você pode vê-las nos comentários abaixo, ou aqui.]

Written by Lucas Pretti

agosto 19, 2008 at 0:16