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‘Fizemos esse trabalho com a alma’. X pra eles

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E começou Maysa. O que esperar de uma minissérie global escrita pelo Manoel Carlos (bom, dessa vez não teve jeito de colocar uma Helena de protagonista, sifu, haha), dirigida pelo filho da protagonista, Jayme Monjardim, e feita para distrair cerumanos em janeiro antes de começar o Big Brother? Nepotismo, claro.

Me chamem de mal humorado, eu aceito. Mas fico puto com esse tipo de coisa. O tal neto da Maysa, filho do diretor, Jayme Matarazzo, é cineasta. CINEASTA. Aliás, ainda NÃO É cineasta. Ele trancou a faculdade de cinema no 5º semestre. E a pergunta é: o que ele faz como ator na minissérie? O que ele sabe sobre interpretação? As respostas: o cara é de família poderosa, tem pai influente, vó nem se fala, é meio bonitinho e pronto: é ator.

O ator Jayme Matarazzo

O 'ator' Jayme Matarazzo

Olha o que ele disse numa entrevista:

Acho que supri qualquer técnica que eu não tenho como ator me doando com muita emoção para esse personagem. Eu e meu pai fizemos esse trabalho com a alma.

Emoção? Alma? “Qualquer técnica”? Isso me parece muito pouco profissional e desrespeitoso.

Como eu nunca havia atuado, não sabia como dar conta da responsabilidade de viver um papel que justamente trata da história do meu pai. Mas me propus a fazer um teste. Me preparei uns 15 dias e o resultado ficou bom. Daí o meu irmão André também fez teste e passou para interpretar meu pai na infância.

15 dias? Teste? Bom? Deu pra perceber o alto nível dos testes na Globo.

Foi uma composição completamente emocional. Descobri muitas coisas sobre ele, que somos muito sensíveis.

Emocional? Sensíveis? Perdoe-o, ele não sabe o que diz.

Gostei de atuar e pretendo continuar. Vou estudar, fazer cursos de interpretação. Tomei gosto pela profissão de ator.

Gosto pelo quê? Ele não sabe NADA sobre a profissão.

As pessoas não sabem quantas broncas levei com meu pai como diretor. O que me interessa é fazer um trabalho com o coração, com a minha verdade. Claro que as críticas são inevitáveis. Só tive cenas complicadas, emocionantes. Tenho feito o mesmo que meu pai: abrir o coração para contar a história da minha avó com qualidade e carinho.

Broncas? Tadinho. Coração? Ah, me desculpe.

Essa é a seriedade com que os brasileiros encaram as artes cênicas. Um puta exemplo disso, aliás, A culpa é também da própria “classe teatral”. Cadê um sindicato pra proibir esse moleque de tirar a vaga de um ator profissional? E os atores, que não fazem barricada, piquete, gritaria, pichação? Ele não poderia nem ser “assistente de direção”, como é; no máximo estagiário (ele tá no 3º ano, lembra?). Aí vem a Editora Globo, na Época São Paulo, e coloca o cara na capa como um dos “paulistanos que vão fazer 2009”. É pra cuspir em cima.

E eu preocupado em discutir arte… Então tá.

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Written by Lucas Pretti

janeiro 6, 2009 at 0:20