Cubo Mágico

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Archive for the ‘Violência’ Category

‘Qual a hora mais difícil do dia? Essa é uma boa pergunta de se fazer’

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Quem perdeu o ao vivo na sexta-feira pode assistir a versão gravada de Por Conta da Casa no Teatro Para Alguém. Como eu sou bonzinho, vou embedar os três atos aqui neste post. Não deixe de comentar o que você achou lá no site. Eu particularmente achei tesão a fotografia que o Kao criou.

FICHA TÉCNICA

‘POR CONTA DA CASA’
Texto: Sérgio Roveri
Diretor: Zeca Bittencourt
Diretora assistente: Tatiana Guimarães
Elenco: Zemanuel Piñero e Lucas Pretti
Diretor de fotografia: Nelson Kao

SINOPSE: Um cliente estranho e armado entra de madrugada em um boteco sujo no centro da cidade, em que já não há mais nenhum freguês. Ali dentro, o garçom, que já estava se preparando para fechar a casa, passa a ser ameaçado pelo cliente. Calado, o garçom ouve do visitante todo tipo de insulto e torna-se vítima de suas ameaças físicas também — até que toda verborragia do freguês revele suas verdadeiras intenções.

uma peça por conta da casa

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Isto é um post-convite.

Estou participando da peça Por Conta da Casa, de Sergio Roveri (prêmio Shell 2006 – melhor autor), que estreia na internet nesta semana. Faz parte do repertório do projeto Teatro Para Alguém, o primeiro teatro virtual do país. Só por causa disso já vale a visita. Caso se empolgue, espere online pela SEXTA-FEIRA, DIA 24, às 22 HORAS. Apresentaremos a peça AO VIVO. São 30 minutos de duração. É só clicar aqui: www.teatroparaalguem.com.br.

Veja o flyer da peça:

Por Conta da Casa - flyer

E a programação de abril/maio do Teatro Para Alguém:

programação Teatro Para Alguém

Se você perder a peça ao vivo, não tem problema. É só entrar no site quando puder e assistir a versão gravada. Aproveite e siga a gente no Twitter (http://twitter.com/teatrotpa) e assine nosso canal do YouTube (http://www.youtube.com/teatroparaalguem).

FICHA TÉCNICA

‘POR CONTA DA CASA’
Texto: Sérgi Roveri
Diretor: Zeca Bittencourt
Diretora-assistente: Tatiana Guimarães
Elenco: Lucas Pretti e Zemanuel Piñero
Diretor de fotografia: Nelson Kao

SINOPSE: Um cliente estranho e armado entra de madrugada em um boteco sujo no centro da cidade, em que já não há mais nenhum freguês. Ali dentro, o garçom, que já estava se preparando para fechar a casa, passa a ser ameaçado pelo cliente. Calado, o garçom ouve do visitante todo tipo de insulto e torna-se vítima de suas ameaças físicas também — até que toda verborragia do freguês revele suas verdadeiras intenções.

ESTREIA – SEXTA, 24/4 – 22h

Até sexta!

No fundo do poço, de cueca

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Vamos no seco. Um antigo e divertido companheiro de redação num jornal do interior foi preso hoje, após ser acusado de abusar de um estagiário na Câmara Municipal da cidade, onde ele trabalhava desde ter sido demitido do jornal (por motivos outros). Ele estava de cueca, e parece que obrigando o tal rapaz a chupá-lo. O moleque saiu gritando, chamou atenção e policiais prenderam o jornalista, que, muito nervoso, resistiu à prisão e enfrentou os policiais.

Isso é o que diz a notícia que vai sair amanhã e posts de hoje em blogs de jornalistas da cidade. A TV Globo local publicou imagens do tal jornalista na cela da delegacia, de cueca, barriga proeminente, pernas não muito longas. Parece que não mostrou o rosto de olhos azuis desgastados.

Esse antigo e divertido colega de redação dividia algumas madrugadas no fechamento do jornal. Cobria esportes enquanto eu me aniquilava pelo noticiário dominical de Cidades. Tem duas filhas, gêmeas, de uns 8 anos no máximo. A mulher ia buscá-lo todos os dias na redação com as crianças, que me irritavam, confesso. Ela conversava com a gente, esperava pacientemente embora de má vontade. O tal jornalista hoje preso era heterossexual convicto. Parecia.

Era bobão, brincalhão, mas desconfiado e um tanto arredio. Tinha cara de ter sido o zoado da escola. Experiente, passara por vários veículos na região, inclusive os de âmbito nacional. Pacífico, era completamente dominado pelas filhas nas vontades delas. Literalmente subiam no ombro dele e desfaziam o penteado quando quisessem (alguns fios de lado sobre a careca proeminente). Deve ter uns 40 anos.

Dava para sentir que não era feliz. Acabou tentando encontrar sentido para as coisas liberando instintos sexuais selvagens numa sala de repartição pública diante de um rapazote. A sociedade revidou: foi parar nos jornais que ele, um dia, ajudou a construir. Lá, sim, teve o nome publicado.

Written by Lucas Pretti

março 4, 2009 at 3:07

Não temos culpa. Merecemos perdão?

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Veja como pode ser perigosa ou esclarecedora a livre associação de conceitos.

Estudando sobre o teatro russo, chegamos inevitavelmente à discussão sobre comunismo. Mesmo porque Anton Tchékov, o autor das peças O Urso e O Pedido de Casamento (que estrearemos em dezembro), viveu no período exatamente anterior à Revolução Soviética. O conceito teórico de “sovietes“, os grupos de cidadãos que se governam a si mesmos, é lindo. Trabalhadores sem patrão decidiriam quanto e como produzir, como seria a divisão dos bens produzidos e a troca de produtos com outros sovietes (o que alimentaria toda a sociedade de todo tipo de material, tudo comum).

Mas não deu certo, como a História provou na URSS, Cuba, Portugal etc. – e parece não haver qualquer dúvida disso. Por quê? Há mil explicações, claro; trezentos milhões de debates já foram realizados em torno disso, e até hoje uma galera nega a falibilidade da coisa. Uma das justificativas a que chegamos nos estudos sobre teatro é que os sovietes derreteram por causa da natureza humana, avessa à democracia pura, socialista.

Nenhum sistema, por menor que seja (como um grupo de teatro, uma redação de jornal), funciona sem comando, por menos autoritário que seja. A liderança, mesmo que sutil e alimentada pelos liderados, acumula poder, nem que seja o da influência. Duas obras de arte recentes mostram e criticam muito bem isso.

O dinamarquês Lars Von Trier, em Dogville, é muito claro em escancarar a natureza humana selvagem, que acaba humilhando e escravizando uma desconhecida quase que gratuitamente, apenas porque havia um ser sobre o qual era possível ter poder (a partir de chantagem). Grace, a personagem de Nicole Kidman, em discussão com o pai mafioso, solta a frase “Os cães não tem consciência nem decidem sobre sua natureza. E por isso devem ser perdoados”. Ela na verdade está falando de humanos. Não conseguimos alcançar o lugar dentro de nós que gira a chave da busca por poder. Então merecemos ser perdoados?

Em Ensaio sobre a Cegueira, o português José Saramago leva ao extremo a opressão do humano pelo humano. Quando todos estão cegos, alguns buscam poder escondendo comida e pedindo objetos e favores sexuais em troca. Era um momento que a união talvez fosse decisiva para tirá-los da situação de exclusão. Os próprios humilhados, por serem vingativos, acabam alimentando o sistema. Mas fazer o quê? Se perdoassem, talvez fossem arrogantes (no conceito trazido em Dogville): o perdão, no filme, é o mais arrogante dos gestos, pois mostra ao perdoado toda a suposta superioridade de quem está perdoando. Difícil haver pureza de fato.

Com tudo isso, a discussão leva naturalmente a justificar os regimes autoritários. Seriam “naturais”, “essenciais” de acordo com a natureza humana. A democracia poderia ser a forma artificial encontrada para todos sobreviverem, já que de outra forma a espécie seria dizimada, autodestruída. E mais: os ditadores deveriam ser perdoados. É da natureza deles, como os cães.

Pior ainda. Concluimos com tudo isso que é humano ser capitalista. Certo ou errado?

A violenta Parada Gay e duas ‘primeiras vezes’

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É um post egotrip, aviso já, apesar de ter um servicinho no final. Se não quiser, pule para o próximo do feed ou role o cursor.

Duas “primeiras vezes” rolaram neste domingo, 25. Fui assaltado (a 1ª) na Parada Gay de São Paulo (a 2ª). Nunca tinha ido ao maior evento GLBT do mundo, e como neste ano o recorde de público seria batido de novo (como foi – 3,5 milhões de pessoas), encarei. Chamei namorada, amigos. Fiquei pouco tempo porque iria trabalhar logo depois, no meio da tarde. Mas foi tempo suficiente para levarem a carteira da mochila, com míseros R$ 2 em moedas e toda uma vida de documentos. A Parada deste ano foi uma das mais violentas, inclusive com atropelamento e amputação de perna. Nada mais normal em multidões, convenhamos.

O que vale disso tudo é a internet, nossa pastora, que nada nos deiaxará faltar. No domingo mesmo, duas horas depois do furto, estava tudo solicitado – Boletim de Ocorrência, RG, CPF, Carteira de Habilitação, cartões de crédito e débito cancelados, carteirinha do Sesc, carteirinha de estudante da UMES, carteirinha da Amil. Caso algum dia precise, veja como fazer com cada documento:

  • RG – no site do Poupatempo (link direto aqui)
  • CPF – nos Correios ou Banco do Brasil (link direto aqui)
  • BO eletrônico – site da SSP (link direto aqui)
  • Carteira de habilitação – site do Detran (link direto aqui)
  • Banco – por telefone (o Fone Fácil Bradesco é 4002-0022 – mas cuidado, a ligação não é gratuita!)
  • UMES – por e-mail no site (aqui)
  • Sesc – por e-mail no site (aqui)

Bem, a carteira da Colatto, presente da minha irmã, também se foi. Essa eu não achei na internet. = ]

Só uma última observação. Apesar da violência, fiquei impressionado com a quantidade de famílias e casais héteros na Parada. É um carnavalzão fora de época, com a mesma quantidade de pegação da festa de fevereiro em Salvador, por exemplo; normal, portanto, apesar de algumas bizarrices. As palavras são diversidade, convivência, tolerância. Isso eu vi de monte.

[Post relacionado: No fim do ano, o futuro]

Written by Lucas Pretti

maio 26, 2008 at 2:35

Sadismo no ventilador

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Confesso nunca ter tido contato além do ouvir falar com a obra de dois artistas antes do último final de semana. Acabei tocando-os pela primeira vez ao mesmo tempo, na adaptação de Os 120 Dias de Sodoma, romance de Marquês de Sade (o 1º), pelo diretor Rodolfo García Vázquez (o 2º), de Os Satyros. Confesso poucas vezes ter visto obra tão perturbadora.

Sade é amplamente conhecido pelo senso comum como um pornógrafo. Suas obras usam a orgia, a sacanagem e os desvios sexuais para denunciar uma França doente. Tanto é que deu origem ao substantivo sadismo (de onde varia o adjetivo sádico). Todo mundo sabe muito bem que sádica é a pessoa que sente prazer sexual em ver outra subjugada, humilhada, machucada. E, na sociedade tão influenciada pela moral católica, Sade é o demônio em pessoa.

Em 120 Dias de Sodoma, não há moral que permaneça de pé. Quatro poderosos (deputados, juízes, líderes religiosos) se reúnem para uma orgia de quatro meses num castelo afastado na França – que García Vázquez fez questão de situar no Brasil. Para lá levam oito adolescentes virgens (quatro homens, quatro meninas), mais quatro “fodedores” e duas prostitutas. Enquanto elas contam histórias de sacanagem, divididas em quatro “níveis de dificuldade”, as crianças encenam e os fodedores… fodem. Tudo para deleite dos quatro poderosos, que entram na putaria, claro, com as práticas mais absurdas que se pode imaginar.

Óbvio, todos os atores ficam nus. E isso já é um choque. Todos se tocam, se “abusam”. E isso é outro baque. Quando há as relações bizarras (no sentido original da palavra), aí não há moral que se sustente.

Difícil ficar incólume diante da defloração de uma das garotas, gordinha. Já é duro se colocar no lugar de uma atriz gorda que tira a roupa para 80 pessoas (só isso já significa uma quebra de padrões dolorosa). Quando ela cai no meio do palco após ter sido (cenicamente) penetrada no ânus, os outros atores berram e, aos brados, pedem para a platéia também enxovalhá-la: “A gorda perdeu o cabaço do cu”. E comemoram, riem, repetem o grito à exaustão. A platéia fica calada, se mastigando, pegando todos os pudores na mão e revolvendo-os.

Toda essa merda no ventilador tem um fundo político. Aí Sade é genial. Suas obras denunciam os desmandos com dinheiro público, as diferenças sociais e raciais, o acúmulo de poder nas mãos de poucos e mesmos. Tão parecido com o Brasil de hoje que ninguém estranha as sugestões d’Os Satyros. Um dos poderosos libertinos (o líder religioso deputado federal) certa hora fica sozinho com a platéia e pergunta se os espectadores se lembram do voto para a Câmara. Ele tinha razão; ninguém se lembrava. Silêncio e risinhos. “Mas todos sabem quem venceu o último Big Brother.” Risadas à solta. Risos punitivos. Ao final da cena, ele pede para todos repetirem bem alto: “Somos todos cidadãos”. E finaliza: “Isso, isso, todos cordeirinhos bípedes” de um país em que tudo termina em Carnaval. Como na peça, com a marchinha Bandeira Branca. Ouça:

Sair do teatro incomodado é prêmio para poucos dramaturgos, atores e diretores. Prêmio por terem cumprido seu papel.

[Post relacionado: Sobre pedófilos e machistas]

Written by Lucas Pretti

maio 6, 2008 at 2:14

Publicado em Arte, Religião, Teatro, Violência

Protesto no meio da rua

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malditos

“Malditos omissos deixa bandidos com menina cela” – outdoor na Barra Funda, em SP, contra o desleixo em relação à garota L., do Pará (a história completa aqui).

São os mesmos autores de outras placas de protesto, evangélicas, espalhadas pela cidade.

[Post relacionado: A culpa é Dele]

Written by Lucas Pretti

dezembro 6, 2007 at 17:38

Publicado em Foto, Violência