Cubo Mágico

aqui tinha artes, teatro, cultura digital e crônicas contemporâneas

Archive for the ‘Urbanidades’ Category

‘Qual a hora mais difícil do dia? Essa é uma boa pergunta de se fazer’

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Quem perdeu o ao vivo na sexta-feira pode assistir a versão gravada de Por Conta da Casa no Teatro Para Alguém. Como eu sou bonzinho, vou embedar os três atos aqui neste post. Não deixe de comentar o que você achou lá no site. Eu particularmente achei tesão a fotografia que o Kao criou.

FICHA TÉCNICA

‘POR CONTA DA CASA’
Texto: Sérgio Roveri
Diretor: Zeca Bittencourt
Diretora assistente: Tatiana Guimarães
Elenco: Zemanuel Piñero e Lucas Pretti
Diretor de fotografia: Nelson Kao

SINOPSE: Um cliente estranho e armado entra de madrugada em um boteco sujo no centro da cidade, em que já não há mais nenhum freguês. Ali dentro, o garçom, que já estava se preparando para fechar a casa, passa a ser ameaçado pelo cliente. Calado, o garçom ouve do visitante todo tipo de insulto e torna-se vítima de suas ameaças físicas também — até que toda verborragia do freguês revele suas verdadeiras intenções.

uma peça por conta da casa

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Isto é um post-convite.

Estou participando da peça Por Conta da Casa, de Sergio Roveri (prêmio Shell 2006 – melhor autor), que estreia na internet nesta semana. Faz parte do repertório do projeto Teatro Para Alguém, o primeiro teatro virtual do país. Só por causa disso já vale a visita. Caso se empolgue, espere online pela SEXTA-FEIRA, DIA 24, às 22 HORAS. Apresentaremos a peça AO VIVO. São 30 minutos de duração. É só clicar aqui: www.teatroparaalguem.com.br.

Veja o flyer da peça:

Por Conta da Casa - flyer

E a programação de abril/maio do Teatro Para Alguém:

programação Teatro Para Alguém

Se você perder a peça ao vivo, não tem problema. É só entrar no site quando puder e assistir a versão gravada. Aproveite e siga a gente no Twitter (http://twitter.com/teatrotpa) e assine nosso canal do YouTube (http://www.youtube.com/teatroparaalguem).

FICHA TÉCNICA

‘POR CONTA DA CASA’
Texto: Sérgi Roveri
Diretor: Zeca Bittencourt
Diretora-assistente: Tatiana Guimarães
Elenco: Lucas Pretti e Zemanuel Piñero
Diretor de fotografia: Nelson Kao

SINOPSE: Um cliente estranho e armado entra de madrugada em um boteco sujo no centro da cidade, em que já não há mais nenhum freguês. Ali dentro, o garçom, que já estava se preparando para fechar a casa, passa a ser ameaçado pelo cliente. Calado, o garçom ouve do visitante todo tipo de insulto e torna-se vítima de suas ameaças físicas também — até que toda verborragia do freguês revele suas verdadeiras intenções.

ESTREIA – SEXTA, 24/4 – 22h

Até sexta!

meteoro em chamas

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Depoimento sobre são paulo de uma amiga prestes a deixá-la. ela é carioca. e está partindo para a europa. minirreflexão sobre o que vivemos todos os dias, concordemos ou não.

Para gostar de São Paulo é preciso, primeiro, esquecer as distâncias: distância dos amigos de outras épocas e cidades; distância entre o acolhimento de casa e a baladinha alternativa. Para gostar de São Paulo é preciso, também, perdoar as diferenças: o sotaque de erres; a multiplicidade de gêneros e corpos. Para gostar de São Paulo é preciso ainda esquecer: o trânsito; as regras que determinam as horas de rir e de se compenetrar.

Por tudo isso, gostar de São Paulo exige tempo. Um tempo que a minha urgência não permitiu. Mas, mesmo assim, os oito meses em São Paulo me ensinaram bem mais do que eu poderia imaginar sobre resignação, tolerância e… felicidade. Deixo a cidade no próximo dia 30, para uma breve temporada de saudades e despedidas no Rio até o embarque para Viena em 12 de maio.

Quero celebrar com vocês não a minha partida, mas a nossa trajetória meteórica compartilhada. E que, como todo meteoro em chamas, foi brilhante.

Meteoro… palavra boa.

Written by Lucas Pretti

abril 22, 2009 at 15:00

Publicado em Dia-a-dia, Urbanidades

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‘Salvar a cultura ou salvar o Cultura?’

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Impossível não republicar aqui o texto da atriz Daniela Carmona que está circulando por e-mail. Reflexões sobre política cultural. Penso igualzinho.

Teatro Cultura Artística após o incêndio

Teatro Cultura Artística após o incêndio

SALVAR A CULTURA OU SALVAR O CULTURA?

Antes de tecer qualquer consideração, tomo a iniciativa individual que, espero, inspire demais cidadãos (pois não posso apenas me reportar à classe artística, já que a exclusão é da sociedade civil no geral…) a fazê-la coletiva. Transcrevo abaixo, palavra por palavra, grifo por grifo, nota da coluna “Direto da Fonte”, de Sonia Racy, do Caderno 2 do Estado de São Paulo, de sexta feira, dia 20 de março de 2009:

O novo TCA, na nova Roosevelt

Sete meses depois do incêndio, o Teatro Cultura Artística dá a volta por cima. Em jantar na casa de Gilberto Kassab, anteontem, empresários e banqueiros, além de lideranças culturais, assistiram a vídeo inédito de sete minutos mostrando o novo projeto da Sociedade de Cultura Artística para o TCA.

A idéia é criar o Centro de Cultura Artística, com uma área de construção cinco vezes maior. E transformar aquele pedaço da praça Roosevelt em área nobre, padrão rua Avanhandava, ali do lado. O custo disso tudo? Na primeira fase do projeto, R$ 40 milhões. Na segunda, R$ 30 milhões.

Entre os pesos-pesados presentes, Henrique Meirelles, Luciano Coutinho, Aloisio Faria (Odebrecht), Caco Pires (Camargo Corrêa), David Feffer (Suzano), Zeco Auriemo (JHSF), André Esteves (BTG), Rubens Ometto (Cosan), Ricardo Steinbruch (Vicunha). Pelos artistas, Karen Rodrigues.

O novo TCA…2

No encontro, o vice-presidente da Sociedade, Cláudio Sonder, detalhou como ajudar. Haverá cotas platinum, brilhante e ouro, de R$ 3 milhões a R$ 500 mil. Antonio Quintella, do Credit Suisse, avisou já ter destinado, via Lei Rouanet, R$ 2 milhões para preservar o mural da frente, de Di Cavalcanti, não atingido pelo fogo.

Carlos Jereissati assegurou que doará R$ 3 milhões. Luciano Coutinho prometeu ver como o BNDES poderá ajudar. E Roberto Baumgarten avaliava o que poderia dar a mais – ele doou o segundo Steinway ao TCA.

Todos elogiaram a idéia, mas alguns comentavam ser esta a “fase do atacado”. E que vão esperar “a do varejo”.

O novo TCA…3

Ao justificar sua adesão, o prefeito – que cedeu sua própria casa para o encontro – disse ter-se emocionado quando foi ver os restos do incêndio, em agosto.

E viu os artistas chorando.

Impressionante. Quando achávamos que a crise estava engolindo todos os investimentos nas áreas culturais via leis de Incentivo, com as empresas cancelando editais de patrocínio, reduzindo drasticamente sua verba para a Cultura, como noticiado pelo mesmo Caderno 2 há duas semanas, eis que, solenemente, elas resurgem das cinzas com a boa nova: estão dispostas a doar um mínimo de 500 mil  e um máximo de 3 milhões de reais para salvar esse ícone cultural, o Teatro Cultura Artística, teatro sabidamente freqüentado por uma parcela significativa da população (uns 5%?), que podia ter acesso aos preços digamos, pouco populares. Que para reerguer-se, pretende captar 70 milhões de reais junto ao empresariado brasileiro. Fácil assim.

Impressionante a sensibilidade do empresariado brasileiro. Que deve ter revisto suas contas e visto que a crise talvez não seja tão grave assim, e que poderá com gesto tão nobre revitalizar uma área que… bom, pra qualquer cidadão medianamente bem informado, que já está sendo revitalizada há anos pelos grupos teatrais que têm sede na praça Roosevelt (Satyros, Parlapatões, a Cia. Da Revista, Teatro 184, Teatro dos Atores…) e pelo cada vez mais numeroso público que a freqüenta, sem contar com um tostão sequer deste tão sensibilizado empresariado brasileiro, tampouco com o comovido poder público, que promete uma reforma na referida praça há mais de duas gestões e até agora nem varrer a praça foi capaz. (aliás, se eu fosse de qualquer um desses teatros, aconselharia a abrirem os olhos e ouvidos pois, para crescer em cinco vezes de tamanho, o tal Centro, se não for crescer pra cima, só tem a opção de passar o trator por cima de quem estiver na frente, digo, atrás, como é o caso).

Impressionante que a política cultural praticada pela atual gestão esteja tão empenhada em ajudar um único teatro (fico triste pelo incêndio, mas minhas lágrimas estão voltadas para causas mais abrangentes, agora lágrimas de indignação) e pretenda, por outro lado, excluir, através do Projeto de Lei 671/07, do Plano Diretor Estratégico, os artigos 17 ao 53, que dizem respeito justamente, entre outras áreas fundamentais, às áreas culturais, de recreação e lazer. Quem quiser, informe-se no site www.cooperativadeteatro.com.br, sobre manifestação ocorrida no dia 13 de março, por ocasião da audiência pública na Câmara Municipal para examinar a constitucionalidade desse projeto de Lei.

Impressionante que a classe artística de São Paulo organize-se e brigue por leis de fomento públicas mais substanciosas há mais de dez anos, sobrevivendo aos trancos e barrancos e fazendo o milagre da multiplicação dos tostões para apresentar à população não só obras de arte de qualidade, mas também trazer essa população para uma participação ativa dessas mesmas obras, orientando, formando, ensinando, empregando… sem que esses números impressionantes… impressionem ou sensibilizem nossa tão sensível gestão municipal, que semestre após semestre ameaça cortar drasticamente o montante de seus mecanismos de fomento (senhor prefeito, vá consultar quantas pessoas a Lei de Fomento ao Teatro, bem como a da Dança, já beneficiou direta e indiretamente, e veja que daria para encher seu tão amado novo Cultura Artística por bem mais de uma centena de vezes).

Nesse momento, não represento grupo nenhum, não sou porta-voz de nenhuma organização. Mas sou artista e cidadã, e sinto-me na obrigação de expressar minha sincera indignação pelo absurdo da situação promovida por nosso digníssimo prefeito. E faço aqui uma sugestão, leve a sério quem achar pertinente: que os artistas de São Paulo marchem em coro e reúnam-se em frente à casa do Sr. Prefeito e abram o berreiro por umas cinco horas pelo menos, todos juntos, fazendo um legítimo Dia do Choro, banhando de lágrimas a fachada de sua residência, para ver se o Sr. Prefeito se comove sinceramente conosco como se comoveu na ocasião do incêndio (pois botar fogo em nossos teatros seria um pouco demais…). E faça algo de fato pela cultura, e não somente pelo Cultura.

Daniela Carmona
Atriz

Percepções friorentas

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Como diria o sábio Irineu Masiero, a principal notícia de todos os dias é a previsão do tempo. Por isso não é ridículo, como fez o USA Today hoje, dar manchete para novidades sobre o clima. E eles estão particularmente certos. O inverno estadunidense está mais seco do que nunca — e frio, óbvio. Meus lábios estão ardendo, as juntas dos dedos também, o corpo todo sofrendo com a temperatura às vezes negativa. Imaginem o que sente esta árvore da foto que tirei.

Árvore seca em Portland

O dia nos EUA rende muito. Portland, onde estou, é uma cidade pequena até, com 550 mil habitantes, atravessável em uma hora de trem. Então dá pra ir pra todo lugar a pé e se impressionar como aqui realmente as coisas funcionam, de novo o exemplo batido do semáforo de pedestres (sempre respeitado).

Uma boa novidade é que o hotel em que estou hospedado fica ao lado do Portland Center for the Performing Arts, do Museum of Art of Portland, da Portland State University, da Niketown e do Portland Center Stage (veja o mapa que fiz, abaixo). Mais pra lá, a Pionner Square – e portanto bondes para todos os lados (particularmente caros — US$ 2,30 por duas horas). Bonde em inglês é streetcar. Aí não dá pra não lembrar do A Streetcar Named Desire com o Marlon Brando e a Vivian Leigh.

Dá gosto de chegar numa cidade, conversar com a senhorinha do serviço de informações do aeroporto e saber por ela que Frost-Nixon é realmente uma puta peça teatral (ou vc só conhecia o filme?), a que ela assistiu no final do ano passado em Portland. Duas coisas tiramos daqui: as pessoas comuns vão ao teatro e, segundo, as temporadas americanas são nacionais. Você lembra de alguma peça no Brasil excursionando por Belo Horizonte, Curitiba, Fortaleza, Rio Branco? Nem festivais, se bobear.

Amanhã vou assistir How to Disappear Completely and Never Be Found, peça de Fin Kennedy, no PCS. Conto no próximo post. Mais novidades de Portland nas fotos abaixo, e no twitter durante o dia: http://twitter.com/cubomagico.

PSU - Portland State University

Pionner Square

2 Big Macs por 3 USD

Written by Lucas Pretti

março 12, 2009 at 5:55

No fundo do poço, de cueca

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Vamos no seco. Um antigo e divertido companheiro de redação num jornal do interior foi preso hoje, após ser acusado de abusar de um estagiário na Câmara Municipal da cidade, onde ele trabalhava desde ter sido demitido do jornal (por motivos outros). Ele estava de cueca, e parece que obrigando o tal rapaz a chupá-lo. O moleque saiu gritando, chamou atenção e policiais prenderam o jornalista, que, muito nervoso, resistiu à prisão e enfrentou os policiais.

Isso é o que diz a notícia que vai sair amanhã e posts de hoje em blogs de jornalistas da cidade. A TV Globo local publicou imagens do tal jornalista na cela da delegacia, de cueca, barriga proeminente, pernas não muito longas. Parece que não mostrou o rosto de olhos azuis desgastados.

Esse antigo e divertido colega de redação dividia algumas madrugadas no fechamento do jornal. Cobria esportes enquanto eu me aniquilava pelo noticiário dominical de Cidades. Tem duas filhas, gêmeas, de uns 8 anos no máximo. A mulher ia buscá-lo todos os dias na redação com as crianças, que me irritavam, confesso. Ela conversava com a gente, esperava pacientemente embora de má vontade. O tal jornalista hoje preso era heterossexual convicto. Parecia.

Era bobão, brincalhão, mas desconfiado e um tanto arredio. Tinha cara de ter sido o zoado da escola. Experiente, passara por vários veículos na região, inclusive os de âmbito nacional. Pacífico, era completamente dominado pelas filhas nas vontades delas. Literalmente subiam no ombro dele e desfaziam o penteado quando quisessem (alguns fios de lado sobre a careca proeminente). Deve ter uns 40 anos.

Dava para sentir que não era feliz. Acabou tentando encontrar sentido para as coisas liberando instintos sexuais selvagens numa sala de repartição pública diante de um rapazote. A sociedade revidou: foi parar nos jornais que ele, um dia, ajudou a construir. Lá, sim, teve o nome publicado.

Written by Lucas Pretti

março 4, 2009 at 3:07

A história das coisas

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Já ouviu falar no vídeo Story of Stuff? Eu conheci só há algumas semanas. Conta a história do capitalismo e como chegamos a essa merda de mundo em que os chefes mandam mesmo e a gente que obedeça ou que se foda ao ponto em que estamos. Minha visão de mundo está muito resumida ali, a não ser pelo viés ambientalista. Na verdade, os ambientalistas têm o mérito de propor uma solução, mesmo que meio over. Problema são as pessoas como eu, que só reclamam.

Mentira, eu acredito nas artes…

E daí, né?

O vídeo tb está no YouTube, mas é melhor ir por este link aqui (legendado e inteiro): http://www.unichem.com.br/videos.php. Você poucas vezes gastou 21 minutos tão bem.

Story of Stuff

Me fez lembrar este outro da SOS Mata Atlântica:

Written by Lucas Pretti

novembro 25, 2008 at 0:24

SF, CA, US

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Fotos de San Francisco, que esqueci de postar quando voltei, no comecinho de novembro.

San Francisco

Written by Lucas Pretti

novembro 24, 2008 at 1:48

Publicado em Foto, Urbanidades

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Hey, don’t cry. I’m coming

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Estou passando esta semana nos EUA, em San Francisco, para uma reportagem. Não sei se vou conseguir escapar da agenda pra ir ao teatro 😦

Apesar do meu anti-americanismo, tenho q admitir que as coisas funcionam por aqui. É muito engraçado porque o que se vê nas ruas e conversas são as influências sobre a nossa cultura brasileira (culto às celebridades, valorização do conhecimento racional, hamburger com sotaque carregado, etc.) mas em estado puro, o que parece na verdade exagerado.

O ar está agitado por causa das eleições na semana que vem. Do taxista ao executivo, todos se manifestam – e votam em Obama. Não é de estranhar. A California é tradicionalmente democrata. Aproveitei e comprei a Rolling Stone de outubro, que deu capa e entrevista com o homem. Uma edição pra guardar, que já nasceu histórica. Dá pra ler o texto aqui: Obama’s Moment.

Ainda falando sobre o motorista que me levou do aeroporto ao hotel (o que gera uma reflexão sobre inclusão digital), viemos falando sobre preços de celulares no “US” e no Brasil, do sonho do cara de ter um MacBook (e ele sabia cada configuração, modelo, etc.) e da crise financeira que zoou a cotação do real.

Ele contou que um dia transportou duas brasileiras japonesas (“mas o Brasil está lotado de japoneses, não está?”), uma delas filha de um grande empresário brasileiro de petróleo (Eike Batista?? Não, ele não deve ter filha japonesa…). As meninas não estavam na hora marcada no portão da Universidade de Berkeley, e deixaram o motorista preocupado. Sumiram. Horas depois elas telefonaram e ele as encontrou com US$ 24 mil em compras nas mãos. Ouviu bem? US$ 24 mil!

E eu pensando que o Brasil era famoso por carnaval, bundas e havaianas (que custam US$ 20 no free shop – e está barato!).

Written by Lucas Pretti

outubro 30, 2008 at 3:46

Não temos culpa. Merecemos perdão?

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Veja como pode ser perigosa ou esclarecedora a livre associação de conceitos.

Estudando sobre o teatro russo, chegamos inevitavelmente à discussão sobre comunismo. Mesmo porque Anton Tchékov, o autor das peças O Urso e O Pedido de Casamento (que estrearemos em dezembro), viveu no período exatamente anterior à Revolução Soviética. O conceito teórico de “sovietes“, os grupos de cidadãos que se governam a si mesmos, é lindo. Trabalhadores sem patrão decidiriam quanto e como produzir, como seria a divisão dos bens produzidos e a troca de produtos com outros sovietes (o que alimentaria toda a sociedade de todo tipo de material, tudo comum).

Mas não deu certo, como a História provou na URSS, Cuba, Portugal etc. – e parece não haver qualquer dúvida disso. Por quê? Há mil explicações, claro; trezentos milhões de debates já foram realizados em torno disso, e até hoje uma galera nega a falibilidade da coisa. Uma das justificativas a que chegamos nos estudos sobre teatro é que os sovietes derreteram por causa da natureza humana, avessa à democracia pura, socialista.

Nenhum sistema, por menor que seja (como um grupo de teatro, uma redação de jornal), funciona sem comando, por menos autoritário que seja. A liderança, mesmo que sutil e alimentada pelos liderados, acumula poder, nem que seja o da influência. Duas obras de arte recentes mostram e criticam muito bem isso.

O dinamarquês Lars Von Trier, em Dogville, é muito claro em escancarar a natureza humana selvagem, que acaba humilhando e escravizando uma desconhecida quase que gratuitamente, apenas porque havia um ser sobre o qual era possível ter poder (a partir de chantagem). Grace, a personagem de Nicole Kidman, em discussão com o pai mafioso, solta a frase “Os cães não tem consciência nem decidem sobre sua natureza. E por isso devem ser perdoados”. Ela na verdade está falando de humanos. Não conseguimos alcançar o lugar dentro de nós que gira a chave da busca por poder. Então merecemos ser perdoados?

Em Ensaio sobre a Cegueira, o português José Saramago leva ao extremo a opressão do humano pelo humano. Quando todos estão cegos, alguns buscam poder escondendo comida e pedindo objetos e favores sexuais em troca. Era um momento que a união talvez fosse decisiva para tirá-los da situação de exclusão. Os próprios humilhados, por serem vingativos, acabam alimentando o sistema. Mas fazer o quê? Se perdoassem, talvez fossem arrogantes (no conceito trazido em Dogville): o perdão, no filme, é o mais arrogante dos gestos, pois mostra ao perdoado toda a suposta superioridade de quem está perdoando. Difícil haver pureza de fato.

Com tudo isso, a discussão leva naturalmente a justificar os regimes autoritários. Seriam “naturais”, “essenciais” de acordo com a natureza humana. A democracia poderia ser a forma artificial encontrada para todos sobreviverem, já que de outra forma a espécie seria dizimada, autodestruída. E mais: os ditadores deveriam ser perdoados. É da natureza deles, como os cães.

Pior ainda. Concluimos com tudo isso que é humano ser capitalista. Certo ou errado?

Prediction is difficult, especially about the future

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O blog do Cézar Taurion trouxe ontem uma lista de previsões futurísticas absurdas, que se mostraram MUITO erradas com o passar do tempo. Por isso o título célebre do post, dito por Niels Bohr, um dos inventores do átomo:

  • “Quando a exposição de Paris se encerrar, ninguém mais ouvirá falar em luz elétrica.” (Erasmus Wilson, Universidade de Oxford, 1879)
  • “A televisão não dará certo. As pessoas terão de ficar olhando sua tela, e a família americana média não tem tempo para isso.” (The New York Times, 18 de abril de 1939, na apresentação do protótipo de um aparelho de TV)
  • “A teoria do germe de Louis Pasteur é uma ficção ridícula”. (Pierre Pochet, professor de Fisiologia em Toulouse, 1872)
  • “É completamente impossível a substituição dos nobres órgãos da fala por um insensível e ignóbil metal”. (Considerações de Jean Boillaud, da Academia de Ciência Francesa, sobre o fonólogo de Thomas Edson, 1878)
  • “O cinema será visto por algum tempo apenas como uma curiosidade científica, pois não possui nenhum futuro comercial”. (Auguste Lumiere, 1895, sobre seu próprio invento)
  • “O raio-x é um engano”. (Lord Kelvin, físico líder da Sociedade Científica Real Britânica, 1900)
  • “Eu me recuso a acreditar que um submarino faça algo mais do que mergulhar no mar e sufocar sua tripulação.” (H. G. Wells, escritor britânico, 1902)
  • “O avião é um invento interessante, porém não vi nenhuma aplicação militar nele.” (Marshal Ferdinand Foch, Faculdade de Estratégia da Escola de Guerra Francesa, 1911)
  • “Até julho está fora de moda.” (Variety Magazine, sobre o rock’n roll, março de 1956).
  • “O filme sonoro é um evento recente que irá permanecer apenas por uma temporada.” (American Cinematographer Magazine, 1900)
  • “Não há nenhuma razão para que alguém queira ter um computador em casa.” (Ken Olson, presidente e fundador da Digital Equipament Corp., 1977)
  • “Where a calculator on the ENIAC is equipped with 18.000 vacuum tubes and weighs 30 tons, computers in the future may have only 1.000 vacuum tubes and weigh only 1,5 tons.” (Popular Mechanics, March 1949)
  • “I have traveled the length and breadth of this country and talked with the best people, and I can assure you that data processing is a fad that won’t last out the year.” (The editor in charge of business books for Prentice Hall, 1957)
  • “There is practically no chance communications space satellites will be used to provide better telephone, telegraph, television, or radio service inside the United States.” (T. Craven, FCC Commissioner, in 1961)
  • “Who the hell wants to hear actors talk?” (H. M. Warner, co-founder of Warner Brothers, 1927)

Sensacionais!

    Written by Lucas Pretti

    outubro 6, 2008 at 17:32

    Simplesmente

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    É simplesmente impossível discutir política num país em que coisas como esta acontecem (encontrei o panfleto no Largo Santa Cecília):

    É por isso que eu simplesmente detesto religião.

    By the way, votei hoje na Soninha e na Mara Gabrilli. Não que isso simplesmente interesse a alguém.

    Written by Lucas Pretti

    outubro 5, 2008 at 18:34

    Link, 29/9

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    Reportagens minhas no Link de hoje:

    Quando sua vida está lotada de e-mails
    É só um recado? E-mail pode não ser a melhor opção
    E-mail foi de lebre a lesma e hoje é considerado carta
    Organize a caixa de entrada
    Dicas
    Pesquisa mostra que crianças preferem SMS, Orkut e MSN
    Números: Início do fim do e-mail
    Infográfico: Saiba como se comunicar melhor

    ———————————–

    Aproveito para postar os textos dessas últimas semanas:

    ———————————–

    IFA 2008: tudo online, tudo à mão
    (sobre a feira que fui cobrir na Alemanha)
    Dispositivos portáteis e TVs dominaram a IFA
    TV e computador tornam-se um só

    ———————————–

    Proposta do iReport é publicar notícias sem edição
    (sobre o site colaborativo da CNN)

    ———————————–

    Internet grátis na rua é a cara de Berlim
    (essa é bacana, une comportamento, história e tecnologia)
    Visite Berlim pela Web

    Written by Lucas Pretti

    setembro 29, 2008 at 22:54

    Link, 25/8

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    Written by Lucas Pretti

    agosto 25, 2008 at 2:04

    cerumanos

    with 8 comments

    olhe para o lado e verá um deles. há cerumanos por toda a parte, nos sufocando, sugando o sangue, apertando nos vagões de trem. eles chegam perto, não entendem o que vc fala, grunem, cospem, se fundem uns aos outros, têm olhos amarelados. e o que fazem de melhor é o que faz com que sobrevivam e nunca mais desapareçam: tiram toda a sua energia e esperança.

    cerumanos não são seres humanos. são um tipo de homo erectus da pós-modernidade. caras e garotas que usam gel no cabelo para sair na foto, velhos com cotovelo branco e bigode de 40 anos e aquele olhar filho-da-puta pra bunda das meninas, perfume barato, gente que vomita certezas depois de comer o que ouviu na televisão. sanguessugas. parasitas.

    artistas e poetas um dia já pediram piedade. cerumanos vivem contando dinheiro, vêem a luz mas não adianta, e, por existirem, nos igualam em desgraça. mas vivem felizes dentro das aspirações ultramedíocres. quero descer pra praia pegar minas comer churrasco falar mal do governo dar esporro no filho fazer mais um filho e ir trabalhar só pra zoar o joão que senta do lado na mesa. tenho até pena do joão, mas ele é um bosta mesmo, né, rararara. na maioria das vezes cerumanos usam gravata. são os piores porque se disfarçam. são fanáticos. acham que o mundo está pronto.

    acham que eles mesmos estão prontos. olhe para as faculdades e verá cerumanos, nos guichês de serviços públicos também, na fila para se consultar no mesmo guichê, com o fone de ouvido no talo dentro do ônibus, lendo auto-ajuda para pintar uma nova camada de certeza sobre as já paridas. lotam as igrejas. as reuniões de condomínio. eles correm, esbarram em você, não podem perder o jogo hoje à noite, amanhã vai ser o assunto do dia, antes de ver a novela, claro. cerumanos se auto-organizam em uma política de proliferação, querem dominar o mundo.

    eles são ricos também. e como são. há cerumanos de todos as castas, um conceito típico entre cerumanos. nossa, a fulana engordou. meu deus, o cicrano é uma bichona. lucramos x% a mais neste mês. onde essa juventude vai parar? são ignorantes. repetem sempre as mesmas coisas, há gerações. rezam muito. vestem grifes culturais, posam por aí com comunidade do andy warhol no orkut, postam fotos adoidados no orkut, todas com biquinho, cabeça inclinada e o gelzinho no cabelo. gravatas às vezes. cerumanos nascem para crescer, crescem para procriar, procriam para envelhecer e envelhecem para morrer. não deixam nada. levam a esperança de que essa raça é diferente dos animais.

    nunca vão ao teatro. se vão, deixam o celular ligado.

    ———————–

    Quem me falou essa palavra pela primeira vez foi a Renata Gama. Adotei.

    Written by Lucas Pretti

    agosto 7, 2008 at 2:44

    Publicado em Crônicas, Urbanidades

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