Cubo Mágico

aqui tinha artes, teatro, cultura digital e crônicas contemporâneas

Archive for the ‘Jornalismo’ Category

Cleyde e Isabel, por Ariana

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Deixe o tempo agir sobre a cabeça fervilhante que posto aqui algumas impressões sobre as peças do FIT, em Rio Preto. São pelo menos duas apresentações assistidas por dia, mais discussões, encontros, trombadas e papos pseudo-etílicos-intelectuais que só um tempinho de mente vazia para processar e organizar tudo.

Por enquanto, fiquem com as entrevistas em áudio que minha amiga (e anfitriã) Ariana Pereira fez com as atrizs Cleyde Yáconis (por ‘O Caminho Para Meca’) e Isabel Teixeira (por ‘Rainha[(s)] – Duas Atrizes em Busca de um Coração’). Reparem na maturidade sábia de uma e na inquietude e energia de outra:

Cleide:

Isabel, parte 1:

Isabel, parte 2:

Se preferirem ler as entrevistas (obviamente editadas, por isso não recomendo), cliquem aqui e aqui.

Cleyde Yáconis em 'O Caminho para Meca'

Cleyde Yáconis em 'O Caminho para Meca'

Isabel Teixeira pela câmera do Kao

Isabel Teixeira pela câmera do Kao

Written by Lucas Pretti

julho 25, 2009 at 3:38

o tempo em suspenso

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um dia como hoje é raríssimo. quando eu venho pra este blog agradecer ao jornalismo por me levar a uma existência superiormente interessante. acho que nunca fiz isso. bem diz Sérgio Roveri que o mundo é bem mais bonito e colorido no teatro (apesar de tudo), mas “quando o jornalismo resolve ser generoso, sai da frente”. tudo isso porque ainda estou encantando com a entrevista que fiz com o Hermeto Pascoal, em curitiba.

obviamente não tenho cacife pra uma entrevista dessa. quando a pauta surgiu aqui no jornal, hesitei mas abracei, claro, já antevendo momentos mágicos diante do gênio albino alagoano. estava certo na percepção. assim como fiz certo, acho, em deixar o cara falar, falar, falar, para interrompê-lo apenas com duas ou três perguntas necessárias à pauta e mais 500 ou 600 questões artísticas. sim, aproveitei para sugar tudo o que o cara tinha a dizer sobre arte.

não vou conseguir resumir num texto aqui nem tenho a pretensão – e um material desse não deve ter tratamento jornalístico. já basta o que saiu no jornal, um recorte obviamente incompleto. gravei a entrevista. publico assim que converter para um formato leve (tem mais de duas horas!). ele me detalhou a teoria que desenvolveu sobre música universal, deu lições sobre criação, sensibilidade, vida. batucou na mesa, para ser acompanhado por Aline Morena (uma puta parceira) cantando numa língua inexistente um delicioso xote nordestino. sem falsa modéstia, deu vontade de dizer “pára, eu não mereço ouvir isso”. o tempo ficou em suspenso.

o resultado, necessariamente reducionista e uma parte do todo, está aqui: texto | página. transmitir algo na plenitude é um negócio que o jornalismo ainda não alcançou.

Written by Lucas Pretti

março 31, 2009 at 18:30

E pra mim?

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Colocaram o Horacio Lafer Piva para entrevistar o presidente do Google América Latina, Alexandre Hohagen, na Época Negócios deste mês. Ele fez a melhor pergunta possível:

“Tem um emprego pra mim no Google?”

Gooooogle

Written by Lucas Pretti

março 16, 2009 at 4:01

The Comedian, nas bancas

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Eu ACABEI de falar no post abaixo em como a cultura de hoje destrói os significados dos signos e símbolos e eis que um exemplo me surge na cara. Fui ver a premiére de Watchmen hoje, filme baseado nos quadrinhos de Alan Moore. A imagem que resume a história é o símbolo da morte do The Comedian, o smiley com uma gota de sangue.

Saí do cinema e dei de cara com a capa da Veja, que, justamente na semana de estreia de Watchmen, coloca um smiley amarelo na capa, relacionado à crise financeira internacional. Não pode ser coincidência…

O lindo é ver que, no final do filme, o diretor Zack Snyder também ironiza essa desconstrução pós-moderna, quando um jornalista vestido com uma camiseta de smiley deixa cair um pouco de catchup na roupa — e qualquer referência ao Comedian é destruída pelo acaso.

As coisas demoram para ser construídas. E vão embora em qualquer acaso.

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PS: btw, eu, Bruno e Matias escrevemos sobre Watchmen no Link desta semana:
http://www.link.estadao.com.br/index.cfm?id_conteudo=15398
http://1ou2escritos.wordpress.com/2009/03/02/a-narrativa-transmidia-a-partir-de-watchmen/

Written by Lucas Pretti

março 3, 2009 at 2:14

estado em que o indivíduo responde de forma inadequada aos estímulos externos e apresenta desorientação, esp. quanto à sua identidade e quanto ao tempo e espaço

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Estou numa fase de não conseguir organizar direito os pensamentos. Estranho. Weird. Especialmente no meu caso, que sempre vivi sob a síndrome do cerebralismo, da racionalização. Minha cabeça borbulha como sempre, mais talvez, mas o máximo que consegue produzir de palpável é o necessário para sobrevivência: reportagens e páginas de jornal. É o que dá grana por enquanto e que não demanda outra coisa que o botão de piloto automático. Fora isso são vários posts rascunhados, muitas ideias mirabolantes mal formatadas, trechos de canções, insights etéreos, dezenas de livros pela metade, filmes para ainda pensar sobre.

Isso talvez faça parte do processo de formação artística, que voltou à condição de vento em popa desde o início de fevereiro – e coincide com o jejum de impressões escritas neste blog. Some à absoluta falta de tempo (ou melhor, ao desperdício fundamental de tempo em atividades não enobrecedoras no trabalho) e pronto. Temos um sujeito confuso.

Não fosse o caos, é isto que deveria ter chegado ao Cubo nos últimos dias:

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– Fiz duas matérias pro Link, uma delas sobre teatro (ahá!): http://1ou2escritos.wordpress.com/2009/02/23/perfil-da-cia-barbixas-de-humor/, sobre a Cia. Barbixas. Foi um texto arriscado (isso não significa bom) como poucas vezes consegui publicar na grande imprensa. Os caras até comentaram no blog (e minha amiga Ariana, que deixou de ser míope nesta semana, viu): http://www.barbixas.com.br/blog/?p=64.

Barbixas

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– A outra foi sobre o quadrinista Rafael Sica: http://1ou2escritos.wordpress.com/2009/02/09/perfil-do-quadrinista-rafael-sica/, autor de algumas tirinhas q eu republico às vezes neste blog (veja como ele é foda na abaixo). Só que dessa vez o texto arriscado não passou (os limites na grande imprensa são tão grandes quanto a imprensa se considera grande) e acabou no limbo da burocracia literária. Enfim, leia se quiser.

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– Fiz um vídeo pra TV Estadão sobre pirataria na internet. Naquela semana fazia todo sentido, hoje já quase esqueci dele.

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– Migramos as peças do Teatro Para Alguém para o YouTube, a primeira entre várias iniciativas wébicas que ainda vão rolar. O canal: http://www.youtube.com/teatroparaalguem. Veja um exemplo em alta definição (e aproveite pra seguir a gente no Twitter – http://twitter.com/teatrotpa):

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Fora isso, conheci umas pessoas novas, re-conheci umas antigas e me surpreendi com outras. Com algumas, que pena, não me surpreendi e acabei arranjando confusão. Enquanto isso, o cabelo crescia, as unhas também, e ainda mais as contradições. Como sempre será.

O importante é ser tranquilo e otimista, não é, Vivian?

Written by Lucas Pretti

março 2, 2009 at 1:32

palmas loucas pra ele

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Não sabia que o Pachecão estava escrevendo para a Palma Louca. É um site bizarro de uma marca de cerveja brasileira feita para exportação que tem o intuito de vender o Brasil como um negócio exótico, tropical. Por isso o cara consegue fazer jornalismo no que isso há de puro (leia-se aqui falta de interesses estranhos): contar histórias. Tem a do tio que só anda de pijama por SP, a tia que procura desaparecidos por conta própria e a da fruta taitiana noni, que faz um mal de doer e alimenta uma máfia desconhecida dos grandes jornais e suas importantíssimas notícias sobre as coisas que muito nos interessam.

Veja.

Written by Lucas Pretti

janeiro 29, 2009 at 16:11

Maniqueísmo

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Saiu hoje no Jornal da Tarde um texto com tanto sangue nas entrelinhas que assusta. Um repórter do caderno Variedades teria mentido à chefia sobre uma entrevista com Tônia Carrero. Teria dito que a entrevistara no sábado passado, mas na verdade a conversa teria acontecido há um ano. “Enganada”, a chefia publicou a entrevista e descobriu a picaretagem. O cara assumiu e, lógico, foi demitido. Instituiu-se então o maniqueísmo, típicos em casos assim: o repórter é todo o mal encarnado, que apodrece diante da nobreza e pureza do resto dos colegas, chefes e assessores de imprensa. Até as novelas já não são mais bandido contra mocinho.

É um exemplo claro das relações trabalhistas em empresas jornalísticas hoje, em que a confiança e a transparência de cima para baixo tendem a zero. Não estou defendendo a atitude do repórter, de maneira alguma, só questionando se era preciso arruinar a carreira dele para sempre, citando nome e dirigindo a metralhadora para a cara dele numa nota destrutiva e com seus 10% de hipocrisia. Quantas vezes erros tão ou mais graves desaparecem em erratas microscópicas?

Written by Lucas Pretti

janeiro 9, 2009 at 11:40