Cubo Mágico

aqui tinha artes, teatro, cultura digital e crônicas contemporâneas

Archive for the ‘Dia-a-dia’ Category

um texto de parabéns

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cemitério

Caralho. Hoje é seu aniversário, lembrei graças ao orkut. Sou bem ruim mesmo nisso, não lembro de datas, não ligo pra elas, não ligo direito pro tempo. O que não quer dizer que não me importo com as pessoas, as vítimas desse tempo.

Vou abrir uma exceção e não me policiar por escrever um e-mail pequeno, como minha inevitável subjetividade paulistana invariavelmente obriga. Mas escrever qualquer coisa totalmente sincera faria você talvez se sentir triste, melancólica, no mínimo reflexiva, e não tenho certeza se desejo provocar essas coisas tão, tão sei lá o quê. Vi suas fotos e vi também uma alegria, uma tranquilidade que há muito não encontrava nas pessoas que me rodeiam. Não falo daquelas minimamente ligadas à arte e com algum dinheiro no bolso, essas têm uma tranquilidade, sim, uma alegria, mas de outra natureza. Me refiro àqueles que valorizam a alegria e a tranquilidade, os que geralmente seguem e sobrevivem abrindo mão delas.

Estou realmente satisfeito, um pouco suspirante e segurando um sorrisinho teimoso de canto de boca ao pensar na sua história, na avalanche que provocou na minha vida (e nas nossas aqui) e no quanto Machado estava certo com sua clássica “Tudo acaba, leitor, é um truísmo; a que se pode acrescentar que nem tudo que dura dura muito tempo”. Tinha essa frase numa lápide lá na faculdade, aquelas que mostram os nomes de pessoas de turmas mortas, antigas, aquelas em que hoje meu nome está, como mais um morto, mais um estudante morto. Hoje talvez seja também um jornalista morto. É uma palavra forte demais. Mas vivo definitivamente não estou.

Chegar a este maldito edifício de arquitetura anacrônica, entrar no covil de monstros ultrapassados e passar aqui em meio ao fétido chorume que inunda o chão, as paredes e obviamente os computadores é uma obrigação infinitamente mais angustiante sem a risadinha, a pequena atitude um tanto insolente e a presença mesmo calada, em pé, dedinhos no notebook, de uma garota com sotaque e palavras diferentes. Essa estrutura toda, claro, não foi capaz de atrair a diversidade, o pequeno mas perene sopro de renovação, de rebeldia, que essa piraiense trazia.

Sorte dela. Não tenho muito mais a oferecer hoje do que uma memória viva, aquela de que sempre nos lembraremos após o brinde, a que invocaremos daqui décadas como retrato, semblante, exemplo de um passado que valeu a pena nos seus pequenos momentos. É da miserável natureza humana a incapacidade de identificar esses lampejos de vida na hora em que brilham. Funciona ao contrário. Uma chama não se apaga assim que é acendida, mas ela vai existindo aos poucos, para não desaparecer nunca – e também nunca mais ser acessada, nunca mais prover calor, nunca mais consolar. Pelo menos sabemos da chama. Há cerumanos que não a enxergam.

Pronto, já exerci demais a sinceridade. Pire por aí.

Bjos e parabéns.

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Written by Lucas Pretti

junho 6, 2009 at 14:05

Publicado em Dia-a-dia

meteoro em chamas

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Depoimento sobre são paulo de uma amiga prestes a deixá-la. ela é carioca. e está partindo para a europa. minirreflexão sobre o que vivemos todos os dias, concordemos ou não.

Para gostar de São Paulo é preciso, primeiro, esquecer as distâncias: distância dos amigos de outras épocas e cidades; distância entre o acolhimento de casa e a baladinha alternativa. Para gostar de São Paulo é preciso, também, perdoar as diferenças: o sotaque de erres; a multiplicidade de gêneros e corpos. Para gostar de São Paulo é preciso ainda esquecer: o trânsito; as regras que determinam as horas de rir e de se compenetrar.

Por tudo isso, gostar de São Paulo exige tempo. Um tempo que a minha urgência não permitiu. Mas, mesmo assim, os oito meses em São Paulo me ensinaram bem mais do que eu poderia imaginar sobre resignação, tolerância e… felicidade. Deixo a cidade no próximo dia 30, para uma breve temporada de saudades e despedidas no Rio até o embarque para Viena em 12 de maio.

Quero celebrar com vocês não a minha partida, mas a nossa trajetória meteórica compartilhada. E que, como todo meteoro em chamas, foi brilhante.

Meteoro… palavra boa.

Written by Lucas Pretti

abril 22, 2009 at 15:00

Publicado em Dia-a-dia, Urbanidades

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Percepções friorentas

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Como diria o sábio Irineu Masiero, a principal notícia de todos os dias é a previsão do tempo. Por isso não é ridículo, como fez o USA Today hoje, dar manchete para novidades sobre o clima. E eles estão particularmente certos. O inverno estadunidense está mais seco do que nunca — e frio, óbvio. Meus lábios estão ardendo, as juntas dos dedos também, o corpo todo sofrendo com a temperatura às vezes negativa. Imaginem o que sente esta árvore da foto que tirei.

Árvore seca em Portland

O dia nos EUA rende muito. Portland, onde estou, é uma cidade pequena até, com 550 mil habitantes, atravessável em uma hora de trem. Então dá pra ir pra todo lugar a pé e se impressionar como aqui realmente as coisas funcionam, de novo o exemplo batido do semáforo de pedestres (sempre respeitado).

Uma boa novidade é que o hotel em que estou hospedado fica ao lado do Portland Center for the Performing Arts, do Museum of Art of Portland, da Portland State University, da Niketown e do Portland Center Stage (veja o mapa que fiz, abaixo). Mais pra lá, a Pionner Square – e portanto bondes para todos os lados (particularmente caros — US$ 2,30 por duas horas). Bonde em inglês é streetcar. Aí não dá pra não lembrar do A Streetcar Named Desire com o Marlon Brando e a Vivian Leigh.

Dá gosto de chegar numa cidade, conversar com a senhorinha do serviço de informações do aeroporto e saber por ela que Frost-Nixon é realmente uma puta peça teatral (ou vc só conhecia o filme?), a que ela assistiu no final do ano passado em Portland. Duas coisas tiramos daqui: as pessoas comuns vão ao teatro e, segundo, as temporadas americanas são nacionais. Você lembra de alguma peça no Brasil excursionando por Belo Horizonte, Curitiba, Fortaleza, Rio Branco? Nem festivais, se bobear.

Amanhã vou assistir How to Disappear Completely and Never Be Found, peça de Fin Kennedy, no PCS. Conto no próximo post. Mais novidades de Portland nas fotos abaixo, e no twitter durante o dia: http://twitter.com/cubomagico.

PSU - Portland State University

Pionner Square

2 Big Macs por 3 USD

Written by Lucas Pretti

março 12, 2009 at 5:55

Tá foda

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Se alguém perguntar por mim, diz que eu fui por aí, levando um violão embaixo do braço. Em qualquer esquina eu paro, em qualquer botequim eu entro. Se houver motivo, é mais um samba que eu faço. Se quiser saber se volto, diga que sim. Mas só depois que a saudade se afastar de mim.

Written by Lucas Pretti

fevereiro 14, 2009 at 1:50

Publicado em Dia-a-dia

o tempo em suspenso

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tudo parado, contemplativo, por um segundo

Impossível descrever uma ou várias amizades. Ou amizades coletivas, sentimento de grupo, pertencimento, saudade crônica e o silêncio da comunhão. De novo, como sempre, foi assim em Rio Preto nas minhas já saudosíssimas férias. Não é mesmo pra chorar ao receber uma ligação no caminho com uma antiga e sincera companheira passando o itinerário, a programação dos próximos 5 dias, sendo q eu avisara que iria apenas no dia anterior? Todo mundo me esperando, ansioso, feliz, alterando minimamente a vida para me agradar um pouquinho, me fazer ter bons momentos, e eu sentindo que poderia também fazer aquilo por aquelas pessoas, que alguma coisa nos liga e eu nem sei o que é, e provavelmente palavras não dão conta de comunicar. Isso sim é que é beleza. você perceber, entender e admirar os momentos em que as palavras não dão conta. assim é a arte, assim são os humanos, assim são os amigos. foram cinco dias em suspenso, com circo, música brega, cinema, filosofia, álcool, rebolados, literatura, novos livros, novos autores, antigos preconceitos, novas visões de mundo. ariana, o problema não é deus, são as instituições. mô, sai daí, arruma um parzinho e vai fazer cinema. mateus, continue atraindo, pelo menos é um caminho. durval, uma bosta. jô, pago pau pra vc. aline, por que a gente é assim? se há alguma coisa que resume tudo isso – e necessariamente será uma palavra vazia -, é a inspiração. vcs me inspiram, me nutrem, renovam as ideias, fazem a ponte entre passado e presente, conseguem perturbar com harmonia e intensidade, me fazer acreditar que viver pode ser melhor, e que vale a pena se fuder todo dia para fazer alguma coisa de bom pelo mundo. e que mais um ano viria, e que ele está cheio de possibilidades, como todos os dias. basta a gente chegar, conversar um pouquinho e transformar tudo. q importa se a cor do prédio mudou, se a franja e os cachos cresceram, se está cada um debaixo de um teto diferente, se nada mais é a mesma coisa? o q importa é o que está embaixo, a filosofia em relação às ciências, a essência, a vodca por trás do limão ou do kiwi, nós. como sempre, voltei de lá novo e velho. é a mistura mais importante do mundo.

Written by Lucas Pretti

janeiro 2, 2009 at 13:52

Publicado em Dia-a-dia, Epifania

Ainda mais provocações

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resumindo, desejo que 2009 seja um ano de ainda mais provocações.

Written by Lucas Pretti

dezembro 31, 2008 at 16:35

Publicado em Dia-a-dia, Teatro

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dsc01078

Written by Lucas Pretti

dezembro 1, 2008 at 0:43

Publicado em Dia-a-dia, Foto