Cubo Mágico

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Uma Cordélia que (quase) encanta

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Estou até agora me perguntando qual o problema de Cordélia Brasil, o espetáculo histórico de Antônio Bivar que ganhou remontagem 40 anos após 1968. A encenação de Gilberto Gawronski, liderada no palco por Maria Padilha (e que está lá no Sesc Paulista), é engraçada, tem momentos poéticos e líricos bem construídos, explora bem o formato teatro de arena, insere o espectador no “clima” da casa de Cordélia, o texto é fabuloso e dito com verdade pelos atores… Mas faltou alguma coisa. Aquilo que encanta além da gargalhada e que transforma o lacrimejar em lágrima. O “paf” final.

Algumas investigações. Maria Padilha não é mais aquela já balzaquiana que encantou ao posar para a Playboy em 1994. Até aí, tudo bem, na peça seu papel é de uma prostituta coroa um tanto decadente. O que não dá para perdoar é a dicção dura, enrolada, que sofre ao reproduzir determinados sons — não para uma atriz tão experiente. O jeito de falar de Cordélia atrapalha não só o entendimento imediato de alguns diálogos como a verossimilhança. Fora a construção um tanto rasa de uma personagem que deveria simbolizar a luta e contradições da mulher brasileira em transição entre um modelo familiar e o “moderno”, em que deve trabalhar, sustentar o marido, sofrer. Ficou um tanto caricata (apesar de Maria Padilha brilhar em alguns monólogos, principalmente nos que há choro) e imediatista, sem profundidade, boba, fútil até.

Cadu Fávero, apesar de ser o melhor no palco, às vezes responde à fala dos outros atores rápido demais. Não escuta e já responde. Problema para uma encenação que se presume naturalista. O gigolô que pretende ser quadrinista é infantilizado ao ponto de se confundir com o garoto de 16 anos que passa a conviver com o casal. E Cadu o fez por vezes infantil demais. Não se explica, por exemplo, porque o personagem tem tanta aversão a falar a idade (com só 28 anos!). O ciúme que sente ao ver Cordélia trabalhando como prostituta é mais o de um filho do que o de um marido (a peça pode até querer dizer isso, mas, pô, ainda há ali um marido!).

Para George Sauma, o garoto, sobrou a presença de palco marcante. E marcada demais pela caricatura. Ele faz estripulias, “jargões gestuais”, faz rir com piadas tão esperadas que confundem Rico com seu outro personagem mais famoso, o Tatalo, de Toma Lá Dá Cá.

As características dos três atores somadas fazem de Cordélia Brasil um espetáculo que chegou quase lá. O melhor da montagem ainda é Antônio Bivar.

Duas | críticas.

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Written by Lucas Pretti

agosto 19, 2008 às 1:53

5 Respostas

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  1. Putz, eu achei um saco.

    Fabrício

    agosto 19, 2008 at 2:06

  2. É, essa história da dicção é real. Foi foda. Que será que rolou, hein? Muito tempo sem fazer teatro?

    Só discordo de uma coisa: o melhor da montagem são as bolinhas de sabão!

    Juli

    agosto 19, 2008 at 2:13

  3. Eu tentei levar embora o potinho com sabão, mas a produção recolheu na porta… bosta! hehehe

    Lucas Pretti

    agosto 19, 2008 at 15:53

  4. A Maria Padilha é louca de pedra em todos teatros que passa arma um barraco e agora arrumou um affair que é o maior galinha, vai pirar de vez.

    Leo

    outubro 27, 2008 at 2:49

  5. Se vc está dizendo, Leo… Então tá.
    Abs.

    Lucas Pretti

    outubro 27, 2008 at 14:47


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