Cubo Mágico

aqui tinha artes, teatro, cultura digital e crônicas contemporâneas

Respirar teatro é pouco perto do que acontece no FIT

with 3 comments

É hoje, é hoje. Está começando em Rio Preto o Festival Internacional de Teatro (o FIT). É a oitava edição do evento, que fica maior a cada ano. Isso não é mais um lugar-comum para “vender” o evento. A cidade do interior de SP (que tem uns 400 mil habitantes) fica completamente modificada, respira teatro com intensidade comparável a Paraty durante a Flip. As peças tomam as ruas, as pessoas fazem filas de 10 horas de espera por ingressos e a comunidade teatral de todo o país comunga com cerveja e um clima experimental em 15 noites de balada no Não-Lugar (nome foda, fala sério).

Para ter noção da grandiosidade e importância da coisa, este ano o FIT terá a estréia mundial (pois é, mundial) de um espetáculo franco-brasileiro com Sandra Corveloni no papel principal (aquela de Cannes), o Le Retour au Désert (e eu vou ver, rá!). Todos os críticos vão pra lá, a cidade pauta as discussões sobre teatro e consegue levar à população “comum” as pesquisas de linguagem e espetáculos às vezes tão, tão distantes.

Por exemplo, a disputa por ver O Céu 5 Minutos Antes da Tempestade, de Sylvia Gomez, com direção de Eric Lenate (apadrinhados de Antunes Filho), foi gigante. Em Rio Preto, isso só é possível uma vez por ano. A peça é figurinha fácil em São Paulo, assim como outras da programação (Senhora dos Afogados, Besouro – Cordão-de-Ouro, Acqua Toffana, Top! Top! Top!), algo quase inviável para quem mora lá ver (são 300 km de distância e pelo menos R$ 140 de busão – ou uns R$ 600 de avião ida e volta).

Eu paguei essa grana pra ir neste próximo fim de semana. Só vou conseguir ver 7 peças, ir a 3 discussões e 3 baladas (tudo isso por R$ 20tão). Mas já dá o gostinho do FIT. Acompanho o que rola por lá desde 2005, quando teve o épico francês Padox, uns presidiários (mesmo!, lá do IPA) vestidos de ETs que saíam pelas ruas fazendo coreografias e interagindo com sons estranhos com as pessoas.

Em 2006, cheguei a participar do projeto Uroborus, a mais longa peça de teatro da história, com 192 horas, na Rodoviária de Rio Preto. O lance era baixar o texto do site do FIT, ir com uma dupla e subir no palco. Os atores, que podiam ser gente comum, se revezavam a cada uma hora. O fotógrafo Otávio Valle, então editor do Diário da Região, tirou várias fotos (no Flickr aqui). Quem deu a cara a tapa fomos eu e o também jornalista Mateus Camargo, um desses caras fodas desperdiçados no jornalismo (vai saber de cinema assim na pqp). Na época, nós dois também estávamos no Diário.

Faltei em 2007. Por isso me organizei e segurei uma grana pra curtir em 2008.

Uma última coisa. O FIT deste ano tem um blog (apesar de o site em flash ser uma coisa chatíssima, né, Jorge Vermelho? – olha o pau que ele quebrou com o pessoal do Teatro Oficina).

Anúncios

Written by Lucas Pretti

julho 9, 2008 às 22:37

3 Respostas

Subscribe to comments with RSS.

  1. Eita.

    Eu nem tinha visto essa história do Zé co Vermelho.
    Valeu por avisar. Vamos apurar.
    Abraço

    Fabrício

    julho 10, 2008 at 0:25

  2. […] anteontem que deixou o cargo de crítico de teatro da Folha para voltar a dirigir. O texto que eu brinquei de encenar no FIT 2006, o Uroborus, é dele. No FIT deste ano, ele provou pros loucos do +zero que manja […]

  3. […] 9/7/08 • Respirar teatro é pouco perto do que acontece no FIT […]


Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: