Cubo Mágico

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Second Life

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Dia desses dei uma entrevista por e-mail ao estudante de jornalismo Sérgio Vieira, sobre Second Life. Fui o primeiro repórter-avatar do Estadão e provavelmente o primeiro contratado exclusivamente para escrever sobre esse metaverso no Brasil.

Isso não quer dizer absolutamente nada, não sou mais ou menos especialista por causa disso (aliás, fica prometida aqui uma lista de blogs, esses sim, especialistas). De qualquer forma, a entrevista pode interessar a interessados em Second Life e afins. Segue:

Porque o Estadão achou importante ter uma agencia no Second Life? Qual a importância de um grande veículo estar inserido nesse ambiente virtual? Oficialmente não posso falar sobre isso, porque é uma questão de estratégia da empresa. Mas a política empresarial do Estadão em 2007 foi muito voltada ao “ambiente web” – veja o novo Portal, Limão, ZAP, iLocal e também o MetaNews. Trata-se de encarar o desafio de inserir um grande jornal centenário no novo mundo da informação virtual. O Second Life faz parte disso.

De que maneira a forma de fazer jornalismo foi alterada com a tecnologias virtuais? A pergunta é muito ampla, já que por “tecnologias virtuais” pode-se entender desde a própria web até mobisodes exibidos por celular. Pensando em “ambientes virtuais”, diria que o jornalismo em si nada mudou, já que é uma ciência como outras, com suas técnicas específicas, modus operandi etc. Deve-se ter o mesmo cuidado em relação a fontes, outro lado, rigor na apuração, busca por furo e responsabilidade pela informação que se tem em ambientes reais. Diria que o que mudou não foi a maneira de fazer jornalismo, mas a forma de atingir o público – a meu ver muito mais difícil agora, por causa das diversas fontes de informação disponíveis, não só jornalísticas.

• Por que grande número de pessoas se sentem atraídas por jogos virtuais (passando horas diante do computador) e por outras vidas como Second Life? Bom, não sou psicólogo, então qualquer opinião expressada aqui não passa de conceito criado empiricamente, com a experiência de conviver em ambientes virtuais. Penso que a atração causada por jogos é a mesma criada, por exemplo, pelos primeiros filmes em cinemas mudos ou até desenhos pré-históricos em cavernas: desejo de se eternizar como ser humano e viver experiências de segunda realidade, que usam da fantasia para amenizar a existência. Não estou falando de vício, isso é outra coisa, doença, disfunção etc. O fascínio “natural” da internet – e conseqüentemente de jogos em realidade virtual – é “corrigir” o que se vê como errado na vida real e potencializar desejos e fantasias.

• A velocidade com que as informações são divulgadas na internet ou mesmo no mundo contemporâneo alterou a percepção das pessoas com relação às notícias. E no jornalismo da web (e do Second Life), como essas mudanças foram inseridas? Como isso influencia no jornalismo? Vejo o Second Life como extensão da internet e da vida das pessoas, e não como uma “segunda vida” realmente, separada, descolada da primeira. Por mais que o avatar seja diferente, que se tente se comportar de forma diferente, é você que está ali atrás, seus valores, sua educação, costumes, cultura, informação. Por isso, a influência da velocidade no noticiário no Second Life é a mesma assistida na TV, na internet, jornal. A dificuldade (e já citei isso ali na pergunta 2) é ser lido, ser relevante. Quem conseguir isso, “dribla” a tal velocidade, as tais mudanças.

[Foto tirada da galeria do Flickr de RedDawn Bade]

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Written by Lucas Pretti

dezembro 7, 2007 às 0:39

Publicado em Internet, Jornalismo

2 Respostas

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  1. Boa noite, puxa muito legal.
    Ótimo ter encontrado essa entrevista, também sou estudante de jornalismo e vou fazer minha monografia sobre o second life, e esta entrevista vai ser de grande ajuda.
    Será que podemos nos encontrar virtualmente qualquer dia desses?
    Grande abraço,

    Alessandra (wiashy aabye)

    Alessandra

    dezembro 10, 2007 at 20:51

  2. Que legal que ajudei você, Alessandra. Claro que podemos nos encontrar. Meu avatar é o Lucca Pekli.
    Abs. Valeu pela visita!

    lpretti

    dezembro 10, 2007 at 23:23


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