Archive for the ‘Quadrinhos’ Category
…

The Comedian, nas bancas
Eu ACABEI de falar no post abaixo em como a cultura de hoje destrói os significados dos signos e símbolos e eis que um exemplo me surge na cara. Fui ver a premiére de Watchmen hoje, filme baseado nos quadrinhos de Alan Moore. A imagem que resume a história é o símbolo da morte do The Comedian, o smiley com uma gota de sangue.

Saí do cinema e dei de cara com a capa da Veja, que, justamente na semana de estreia de Watchmen, coloca um smiley amarelo na capa, relacionado à crise financeira internacional. Não pode ser coincidência…

O lindo é ver que, no final do filme, o diretor Zack Snyder também ironiza essa desconstrução pós-moderna, quando um jornalista vestido com uma camiseta de smiley deixa cair um pouco de catchup na roupa — e qualquer referência ao Comedian é destruída pelo acaso.
As coisas demoram para ser construídas. E vão embora em qualquer acaso.
—–
PS: btw, eu, Bruno e Matias escrevemos sobre Watchmen no Link desta semana:
http://www.link.estadao.com.br/index.cfm?id_conteudo=15398
http://1ou2escritos.wordpress.com/2009/03/02/a-narrativa-transmidia-a-partir-de-watchmen/
estado em que o indivíduo responde de forma inadequada aos estímulos externos e apresenta desorientação, esp. quanto à sua identidade e quanto ao tempo e espaço
Estou numa fase de não conseguir organizar direito os pensamentos. Estranho. Weird. Especialmente no meu caso, que sempre vivi sob a síndrome do cerebralismo, da racionalização. Minha cabeça borbulha como sempre, mais talvez, mas o máximo que consegue produzir de palpável é o necessário para sobrevivência: reportagens e páginas de jornal. É o que dá grana por enquanto e que não demanda outra coisa que o botão de piloto automático. Fora isso são vários posts rascunhados, muitas ideias mirabolantes mal formatadas, trechos de canções, insights etéreos, dezenas de livros pela metade, filmes para ainda pensar sobre.
Isso talvez faça parte do processo de formação artística, que voltou à condição de vento em popa desde o início de fevereiro – e coincide com o jejum de impressões escritas neste blog. Some à absoluta falta de tempo (ou melhor, ao desperdício fundamental de tempo em atividades não enobrecedoras no trabalho) e pronto. Temos um sujeito confuso.
Não fosse o caos, é isto que deveria ter chegado ao Cubo nos últimos dias:
———————————————————————————————–
- Fiz duas matérias pro Link, uma delas sobre teatro (ahá!): http://1ou2escritos.wordpress.com/2009/02/23/perfil-da-cia-barbixas-de-humor/, sobre a Cia. Barbixas. Foi um texto arriscado (isso não significa bom) como poucas vezes consegui publicar na grande imprensa. Os caras até comentaram no blog (e minha amiga Ariana, que deixou de ser míope nesta semana, viu): http://www.barbixas.com.br/blog/?p=64.

———————————————————————————————–
- A outra foi sobre o quadrinista Rafael Sica: http://1ou2escritos.wordpress.com/2009/02/09/perfil-do-quadrinista-rafael-sica/, autor de algumas tirinhas q eu republico às vezes neste blog (veja como ele é foda na abaixo). Só que dessa vez o texto arriscado não passou (os limites na grande imprensa são tão grandes quanto a imprensa se considera grande) e acabou no limbo da burocracia literária. Enfim, leia se quiser.
———————————————————————————————–
- Fiz um vídeo pra TV Estadão sobre pirataria na internet. Naquela semana fazia todo sentido, hoje já quase esqueci dele.
———————————————————————————————–
- Migramos as peças do Teatro Para Alguém para o YouTube, a primeira entre várias iniciativas wébicas que ainda vão rolar. O canal: http://www.youtube.com/teatroparaalguem. Veja um exemplo em alta definição (e aproveite pra seguir a gente no Twitter – http://twitter.com/teatrotpa):
———————————————————————————————–
Fora isso, conheci umas pessoas novas, re-conheci umas antigas e me surpreendi com outras. Com algumas, que pena, não me surpreendi e acabei arranjando confusão. Enquanto isso, o cabelo crescia, as unhas também, e ainda mais as contradições. Como sempre será.
O importante é ser tranquilo e otimista, não é, Vivian?
Tudo são revistas velhas
O papel amarelado mostra mais ou menos há quanto tempo eu guardo essa tirinha. Era o primeiro ano da faculdade de jornalismo. Eu acreditava nela. O Calvin tinha descoberto o valor dos repórteres e suas importantes informações. Hoje, eu percebo e concordo: é uma imensa, precisa, clara e irremediável ironia.


…

Xavier Gorce na Revista Piauí. Do blog da Dri.
Escrever profissionalmente é vender apartamentos
A pior aflição de alguém que adora escrever – e acha que assim pode mudar o mundo – é escrever profissionalmente. O que é ser profissional? É entender de algo a ponto de vender esse conhecimento. É fazer as coisas com um distanciamento tal que independe de subjetividades como inspiração, vontade, gosto. É usar técnicas para fingir que ali naquelas palavras há elementos transformadores. Não há.
A pior aflição de alguém que escreve profissionalmente é perceber que tudo o que sai em troca de uma graninha no final do mês vai se tornando mecânico, enrijecido, com uma criatividade sempre igual e, pior, se torna um produto. Escrever profissionalmente é vender apartamentos, é carregar caixas, é estampar camisetas, é gritar “Amendoim R$ 0,50, Amendoim R$ 0,50″.
A pior aflição de alguém que adora escrever é perceber que, em 90% do tempo, não há NADA de arte nisso.
Um dia, essa aflição vira um monstro.
Em busca da estaca zero
uma discussão em casa hoje com a minha mãe levou à seguinte questão: quem deve julgar a arte, público “comum” ou os “entendidos”? eu não manjo porra nenhuma de nada, mas em tese estávamos conversando ali um exemplar de cada lado, entendidos e público comum.
Tudo começou quando ela falou sobre alguém xis que não tinha gostado do show da Ana Carolina, outro alguém xis da família que criticou a Vanessa da Mata e mais um xis que “nunca gostou” não sei do quê. Em tese, qualquer manifestação artística genuína (aquela que busca o novo, a transformação, “tocar” o espectador e fazê-lo questionar-se de suas certezas) só se dá justamente pela existência do espectador. A própria função social do artista é levar às pessoas comuns essas coisas todas. Mas a opinião do receptor é mesmo importante, vital para a obra existir?
lembrei de uma coisa que a jornalista Daniela Bochembuzo um dia me falou. Ela era ombudsman do jornal na época. Eu terminava a faculdade e me deslumbrava com qualquer iniciativa de “ouvir os leitores”. Ao contrário, ela dizia que o jornal deve levar o que o público quer ler, claro, mas também — e talvez principalmente — o que ele PRECISA ler. Well, well… Talvez por isso os jornais estejam tão chatos hoje. Na internet a valoração de notícias é bem diferente entre editores e internautas.
Voltando pra arte, de quem é a culpa por alguém ir assistir ao Caco Ciocler inteirão
num puta texto filosófico, profundo, transgressor do Ibsen e fazer o comentário “Ele é lindo mesmo, né?” no final da peça. É o público “comum”. O Sérgio Ferrara, diretor de Imperador e Galileu
, e o próprio Caco, estão interessados nessa pessoa como público? Eles tentaram dizer alguma coisa para ela, com certeza, mas podem ter saído com a imagem de chatos, artistas que não se fazem entender. Vai saber o que a velha comentou em casa, fora a “beleza” do ator…
Essa velha é que deve julgar a arte? Ou, antes, a arte deve ser julgada? O que é arte? Concordo: fudeu.
Falando nisso, hoje tem a penúltima apresentação de A Noite dos Palhaços Mudos no Parlapatões, baseada na obra do Laerte. Uma tirinha dele que pode ser aplicada a essa discussão sobre arte:
O mundo é real
Se há uma característica da internet mais importante que a possibilidade de comunicação ágil, formação de redes sociais etc., é a capacidade de armazenamento de informações. Essa introdução toda chata uso para dizer que soube só agora de um post do Alexandre Inagaki de dezembro de 2005, falando de uma tirinha apócrifa do Calvin que circulava na web na época. Um fã do personagem criado por Bill Waterson fez o que seria realmente a última história – o dia em que ele deixa de ver Haroldo como um tigre vivo. O fim da magia. Veja:

É incômodo pensar em quantos lares com crianças hiperativas isso realmente aconteceu. A mãe buscaria ajuda médica/terapêutica, censuraria as criações do filho, moldaria a criança à sociedade. E ela se transformaria um de nós…
[Post relacionado: Calvin & Hobbes]
Quadrinho extraordinário
Já viu o trabalho em quadrinhos do ilustrador Rafael Sica? Chama-se Quadrinho Ordinário. A filosofia, na minha interpretação, é “chapliana”.
[Via Vejo Tudo e Não Morro]
Novos sabores
Marmitech é um podcast sobre “comida e comportamento”, produzido por cinco jornalistas paulistanos. Tem também um blog, um vídeo de apresentação e a chancela de nomes como Cazé e Marcelo Tas. Nasceu de um projeto de conclusão de curso da Cásper Líbero.
Trombei com uma das marmitechs, Natália Garcia, no bar Exquisito, nesta semana, em SP. Entrou no blogroll, ao lado.
Cianeto e Felicidade
Cheguei a um site de HQs muito bom hoje, o Explosm, que publica a tira Cyanide and Happiness. São todas em inglês, mas quem sabe só um pouco da língua consegue entender (além de ter vários blogs que traduzem as tirinhas – aqui e aqui, por exemplo). O humor é um tanto negro – por isso mesmo engraçadíssimo – e feito com bonecos palitinhos. Seguem duas tiras:
Para dicas de outros quadrinhos gratuitos online, veja um post do finado blog Reporteralex.
[Post relacionado: Calvin and Hobbes]
Calvin and Hobbes
Acabei de ler os livros O Mundo é Mágico e E Foi Assim que Tudo Começou. Segue uma justa homenagem.
A última tira:
Você sabia que eles têm um site oficial?
















