Archive for the ‘Notícias’ Category
Um ator, uma peça, uma câmera
O ator Chico Diaz, este abaixo, cujo último trabalho na TV foi o cafetão Jáder em Paraíso Tropical, está tramando um projeto que pode mexer bastante com o imaginário das pessoas, além de inaugurar uma faceta no aprendizado das artes cênicas. Ele pretende filmar 24 horas por dia a preparação do elenco para uma peça de teatro, aplicação prática e útil do conceito de reality show utilizado, por exemplo, no Big Brother.

Não tenho mais detalhes. Ouvi a novidade de Pedro Bial durante o Verge Digital Summit 2008. Ele apenas adiantou que os contratos não estão definidos e ainda negociam os direitos autorais e que, por isso, não poderia citar os envolvidos nem a peça. “Não é Diário de um Louco, mas isso é uma dica”, disse. A peça de Nikolai Gogol trata de um funcionário público que transita fantasiosamente entre o poder e a riqueza (foi montada no Rio em 1997 por Diogo Vilela).
Para falar a verdade, não entendi o envolvimento de Bial, a não ser pela proximidade com o ator, de quem é amigo pessoal. Será que a marca BBB vai estar vinculada ao projeto? Conversei com a assessora de imprensa de Chico Diaz, Denise Lilenbaum, que confirmou as intenções, mas disse que o projeto ainda está em fase “embrionária”. O ator está envolvido com as gravações da próxima novela das oito, A Favorita.
De qualquer forma, é a primeira aplicação do monitoramento televisivo na prática. A não ser pela questão da segurança em lojas e ruas (e que não se trata de acompanhar a vida de alguém), é a primeira vez que alguém testa o formato para outros fins fora do entretenimento puro. Pelo histórico de Chico Diaz, é de se esperar um viés artístico bem forte.
Volto ao assunto quando conseguir novidades.
Outro nível, o superior
O Caderno2 de hoje traz reportagem sobre a Escola Superior de Artes Célia Helena, evolução da tradicional escola de teatro de São Paulo. Além da informação em si, que adiantei neste post, há um perfil bem escrito do casal de atores Raul Cortez e Célia Helena. Veja:


Links para os textos completos:
- Um legado de atores
- Uma história de luta por dignidade
- A herança de Célia Helena pulsa, viva, nos palcos do Brasil
As aulas vão bem, obrigado.
Post sobre um escândalo
Foi presa hoje nos Estados Unidos uma professora que transou pelo menos três vezes com um aluno de 15 anos. Ela é loira, bonita, jovem, e costumava enviar mensagens de texto após os encontros. “Eu amo você… foi a melhor… estou sensível mas não machucada… você foi bom” teria sido a última, interceptada pela mãe e, logo depois, pela polícia.
A história não parece familiar? É exatamente a mesma do filme Notas sobre um Escândalo. É de impressionar a capacidade da arte de recriar situações reais e nos modificar para sempre. Uma notícia como essa, publicada aqui pelo jornal Sun Herald, passaria despercebida para mim entre as zilhões de todos os dias não fosse o filme. E por melhor que seja a jornalista e a história, nunca se chegará perto de explorar o que a levou a isso, que turbilhão de emoções passou por sua cabeça enquanto transava com o garoto e que implicações anteriores à prisão mexeram com a vida de diversas pessoas.
Já escrevi sobre o filme, neste post com o título “Sobre pedófilos e machistas”, e classifiquei como um dos mais incômodos dos últimos tempos. Se não quiser ler, sem problemas, mas vá assistir ao filme.
A ’segunda vida’ já era

O caderno Link, do Estadão, publicou uma reportagem extensa feita por mim a quatro mãos com Marilu Araujo sobre o Second Life. É um balanção sobre o mundo virtual que discute também o futuro da internet. Modéstia à parte, é uma das análises mais conscientes sobre o jogo dos últimos tempos (que não apela para o imediatismo, como aqui, nem para o catastrofismo, como aqui).
Reproduzo abaixo o artigo opinativo publicado no mesmo jornal, que resume a mensagem que gostaríamos de passar.
O segredo do Second Life em uma palavra
Lucas Pretti*
Em um ano de cobertura diária do Second Life, as emoções em torno do jogo (jogo?) se alternaram entre perplexidade e enfado. O fervor que qualquer notícia sobre o mundo virtual causava no início de 2007 foi substituído gradativamente pela indiferença. Mas qualquer explicação dada até hoje para o fenômeno é imprecisa e perde para as estatísticas. O número de usuários não pára de crescer, assim como a economia intramundo. Mais metaversos surgiram, com tanto ou mais sucesso, e projetos de integração entre eles são a próxima promessa do mundo 3D.
O que explica, então, o “estouro da bolha”, como a imprensa brasileira já chegou a qualificar? Darwin explica. O Second Life passou em 2007 por uma seleção natural. Viu os empreendedores desistirem de ganhar dinheiro fácil, fez com quem estava ali futilmente a passeio saísse e assistiu à tomada de poder pelos “usuários 2.0″.
Só percebe qualquer alteração cultural quem observa de muito perto, como faz desde julho o jornal MetaNews, mantido pelo Grupo Estado exclusivamente no mundo virtual. A ousadia de publicar um jornal todos os dias em um universo “de mentira” é a prova de que empreendimentos no Second Life devem levar em conta a tal palavra prometida no título deste artigo.
Ao contrário da web e dos costumes digitais adquiridos com ela desde 1995, levar uma segunda vida (não a rotina, mas o conceito) é algo menos veloz do que se imagina. Como qualquer projeto da primeira vida, os de lá também levam tempo para ser amadurecidos. 2007 foi justamente a fase de amadurecimento.
Isso é chato para a mídia, pouco promissor para empresas e desconfortável para gamers e usuários 1.0. Mas a (segunda) vida é assim.
Faltou a palavra prometida no título: perenidade.
*Foi o primeiro repórter-avatar do Estadão
Os links para as matérias que compõem a reportagem:
- A ’segunda vida’ já era. O que vem agora?
- Raio-X do Second Life
- Como o universo virtual virou uma cidade fantasma
- Ninguém ganha dinheiro, mas lucro deixa de ser importante
- Pioneiros do ‘SL’ acreditam em sobrevida
- Web em três dimensões: o futuro da internet?
- Entrevista: Philip Rosedale, criador do Second Life
- Outros mundos virtuais
E os links para o conteúdo adicional no portal estadao.com.br:
- Guarde a lista dos melhores destinos para visitar no Second Life
- Íntegra da entrevista com Rosedale
- O futuro da internet, segundo o diretor de comunicação do Google Brasil (áudio)
Duas análises também bacanas feitas pela imprensa brasileira em tempos recentes:
Filhos de quatro patas

Uma discussão atualíssima e que você fala “Nossa, é isso mesmo” quando vê. A capa deste mês da revista Galileu captou no ar as mudanças comportamentais contemporâneas em relação à maternidade e estampou o mais novo filho da família brasileira: o cachorro.
Quantos não são os amigos, jovens na maioria, claro, que optam pelos cães como alternativa afetiva e financeira aos filhos. Não interessa em nada para você, mas eu sou um deles, e por isso me identifiquei e indico a leitura da reportagem (link aqui para o trecho disponível na web).
O comediante Rafinha Bastos tem outra explicação para o fenômeno. Diz que cachorros não são os melhores amigos dos homens pelo companheirismo etc., mas “porque só dura 14 anos aquela merda”. Ele disse isso neste show.
iPhone vs. Resto do mundo

O iPhone foi a palavra mais buscada no Google em 2007, superando sites de relacionamento e celebridades como Paris Hilton e Britney Spears. Já o pessoal que busca pelo Yahoo prefere as celebridades – Brit foi a campeã do ano.
Imaginem se ela fosse garota-propaganda da Apple. Não haveria servidores de busca capazes de agüentar o tranco.
Natal do Brasil

O prédio da Fiesp, na av. Paulista, em SP, inaugurou esses dias a decoração de Natal, com um tema transgressor, e por isso delicioso de ver e debater. O “Natal do Brasil”.
Não temos por aqui nenhuma das características climáticas e culturais dos países de que importamos a cultura do Papai Noel, presentes etc. É calor, tudo colorido, não ligamos lareiras nem usamos meias grossas nessa época do ano. Além de os pinheiros em formato de cone não estarem na flora natural brasileira e mal sabermos quem é São Nicolau, o tal Santa Claus. E daí? Fazemos tudo como nos ensinaram.
Isso não é um manifesto anti-americano nem nada do gênero. Apenas uma reflexão provocada pela Fiesp e argumentada no próprio prédio com um poema do português João Cabral do Nascimento, que retirei do Instituto Camões:
Natal Africano
Não há pinheiros nem há neve,
Nada do que é convencional,
Nada daquilo que se escreve
Ou que se diz… Mas é Natal.
Que ar abafado! A chuva banha
A terra, morna e vertical.
Plantas da flora mais estranha,
Aves da fauna tropical.
Nem luz, nem cores, nem lembranças
Da hora única e imortal.
Somente o riso das crianças
Que em toda a parte é sempre igual.
Não há pastores nem ovelhas,
Nada do que é tradicional.
As orações, porém, são velhas
E a noite é Noite de Natal.
Notícias relacionadas publicadas hoje:
- Google vai ajudar a rastrear Papai Noel na noite da Natal (via Blue Bus)
- Banksy inaugura ‘gueto’ do Papai Noel em Belém (da BBC)
Mais um avião
Recebi a notícia sobre a queda do Learjet em SP hoje de forma indireta. Duas amigas com nick no MSN: “outro avião não, por favor, não” e “por que aviões caem?”.
Corri aos portais de notícias e vi outro amigo “envolvido”, Alexandre Barbosa, que deu seu relato ao estadao.com.br: “Por mais que eu tente racionalizar, não me sai da cabeça o risco que é, hoje em dia, morar próximo de aeronaves no Brasil.”
Nós lá fora
Rolou um discussão sobre estereótipos brasileiros em um grupo de e-mails de que participo. Começou com esta notícia do UOL. Segue depoimento de uma amiga que hoje mora em Paris – destaque para a parte sobre o sueco e o dinamarquês (imagem retirada daqui).
“Gente… é exatamente assim que as pessoas nos veem! E é um pouco assim que nos nos vendemos né! mas nao sei se é assim tao ruim! Essa imagem nos abre portas e sorrisos!
Nao é todo mundo é claro, mas é inevitavel quando um estrangeiro, e nao importa a nacionalidade, te conhece a conversa sempre cai no futebol, nas praias, nas florestas. Alem do Ronaldinho as pessoas falam muito do Lula e me dizem que a imagem que tinha do Brasil mudou, pra melhor, depois da eleiçao do Lula no Brasil, até porque os escandalos de corrupcao de seu governo nao chegam aqui.
Mas uma coisa eu posso garantir, quando você diz que é brasileiro sorrisos sao abertos, e as vezes formam-se filas pra falar com você! é muito engracado, eu digo: “calma pessoal, um de cada vez!”
Eu tambem nao gosto desses cliches e as pessoas mais esclarecidas apesar de brincarem com os cliches, samba, futebol e carnaval, nao acham que é so isso!
O que da raiva é quando falam espanhol com a gente, isso eu fico puta, mas quando penso que nao sei a diferenca entre o sueco e o dinamarques desencano!”
Notícias
Três falas dignas de qualquer compêndio, tiradas de notícias dos últimos dias.
• Está sendo filmado pelo diretor Paul Morrison o filme Little Ashes, sobre a suposta relação amorosa entre o pintor Salvador Dalí e o poeta Federico García Lorca. Mas a relação nunca se consumou porque… “Dalí disse que tentaram manter relações sexuais, mas que doía”. Do The Observer.
• Cinco assassinos de um garçom de Sorocaba, no interior de SP, fizeram piada com a vítima na frente do delegado. Disseram: “Ele foi tarde, é um peso a menos na terra”, “Ele vai abraçar o capeta” e “Antes ele do que eu”. Sobre o período que vão passar na prisão: “Vai ser chocolate”. Da Agência Estado.
• Manifestantes holandeses se reuniram em Amsterdã (foto) para impedir o governo de proibir o uso de cogumelos alucinógenos. O argumento: “O turista jovem típico que vem para Amsterdã bebe muita cerveja, fuma muita maconha, e aí toma o cogumelo. É a receita do desastre”. Da agência Reuters.
Springfield é aqui
Fiquei assustado com esta chamada no UOL hoje de manhã, sobre um cara que caiu no rio Tietê, em SP, e… desapareceu. Qualquer semelhança com o lago Springfield, no filme dos Simpsons, não é mera coincidência.
Na trama, um esquilo cai no lago ultra-mega-high-tera poluído e sofre mutações genéticas. Se transforma em um monstro com dezenas de olhos, personagem chamado em inglês de Multi-eyed Squirrel (tem até perfil no MySpace).
Se parar para pensar, não é água faz tempo aquilo que o rio Tietê abriga. Como diz um amigo, “pega um monte de merda, coloca água, desencapa um cigarro e joga junto, adiciona uma porrada de desinfetante” e eis o Tietê.
Se eu vir um cara com três olhos por aí, vou ligar pro presidente Schwarzenegger.
Verde escuro
A Torre Eiffel ficará apagada amanhã para incentivar o consumo consciente de energia (aqui). Na verdade, o pedido é para que todas as casas da França fiquem apagadas por 5 minutos (a partir das 19h55 – 15h55 no Brasil).
Mais uma ação de ativistas pelo meio ambiente, que precisam forjar valores-notícia para ganhar visibilidade na mídia e aí tentar conscientizar as pessoas. O mesmo ocorre com os peladões do fotógrafo Spencer Tunick (fotos aqui).
Você tiraria a roupa pelo meio ambiente? Apagaria a luz de casa? Deixaria o carro na garagem?
A grande questão da sustentabilidade em tempos de capitalismo 3.0 é o sacrifício que os indivíduos não estão dispostos a fazer. Somos por um lado individualistas e, por outro, pressionados para sermos colaborativos. A pergunta é: o que ganhamos, em curto prazo, por proteger o meio ambiente?
A tese realista é de Daniel Domeneghetti, CEO da DOM Strategy Partners, divulgada em palestra neste evento.
Notícias
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