Archive for the ‘Jornalismo’ Category
Cleyde e Isabel, por Ariana
Deixe o tempo agir sobre a cabeça fervilhante que posto aqui algumas impressões sobre as peças do FIT, em Rio Preto. São pelo menos duas apresentações assistidas por dia, mais discussões, encontros, trombadas e papos pseudo-etílicos-intelectuais que só um tempinho de mente vazia para processar e organizar tudo.
Por enquanto, fiquem com as entrevistas em áudio que minha amiga (e anfitriã) Ariana Pereira fez com as atrizs Cleyde Yáconis (por ‘O Caminho Para Meca’) e Isabel Teixeira (por ‘Rainha[(s)] – Duas Atrizes em Busca de um Coração’). Reparem na maturidade sábia de uma e na inquietude e energia de outra:
Cleide:
Isabel, parte 1:
Isabel, parte 2:
Se preferirem ler as entrevistas (obviamente editadas, por isso não recomendo), cliquem aqui e aqui.

Cleyde Yáconis em 'O Caminho para Meca'
o tempo em suspenso
um dia como hoje é raríssimo. quando eu venho pra este blog agradecer ao jornalismo por me levar a uma existência superiormente interessante. acho que nunca fiz isso. bem diz Sérgio Roveri que o mundo é bem mais bonito e colorido no teatro (apesar de tudo), mas “quando o jornalismo resolve ser generoso, sai da frente”. tudo isso porque ainda estou encantando com a entrevista que fiz com o Hermeto Pascoal, em curitiba.

obviamente não tenho cacife pra uma entrevista dessa. quando a pauta surgiu aqui no jornal, hesitei mas abracei, claro, já antevendo momentos mágicos diante do gênio albino alagoano. estava certo na percepção. assim como fiz certo, acho, em deixar o cara falar, falar, falar, para interrompê-lo apenas com duas ou três perguntas necessárias à pauta e mais 500 ou 600 questões artísticas. sim, aproveitei para sugar tudo o que o cara tinha a dizer sobre arte.
não vou conseguir resumir num texto aqui nem tenho a pretensão – e um material desse não deve ter tratamento jornalístico. já basta o que saiu no jornal, um recorte obviamente incompleto. gravei a entrevista. publico assim que converter para um formato leve (tem mais de duas horas!). ele me detalhou a teoria que desenvolveu sobre música universal, deu lições sobre criação, sensibilidade, vida. batucou na mesa, para ser acompanhado por Aline Morena (uma puta parceira) cantando numa língua inexistente um delicioso xote nordestino. sem falsa modéstia, deu vontade de dizer “pára, eu não mereço ouvir isso”. o tempo ficou em suspenso.
o resultado, necessariamente reducionista e uma parte do todo, está aqui: texto | página. transmitir algo na plenitude é um negócio que o jornalismo ainda não alcançou.
E pra mim?
Colocaram o Horacio Lafer Piva para entrevistar o presidente do Google América Latina, Alexandre Hohagen, na Época Negócios deste mês. Ele fez a melhor pergunta possível:
“Tem um emprego pra mim no Google?”
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The Comedian, nas bancas
Eu ACABEI de falar no post abaixo em como a cultura de hoje destrói os significados dos signos e símbolos e eis que um exemplo me surge na cara. Fui ver a premiére de Watchmen hoje, filme baseado nos quadrinhos de Alan Moore. A imagem que resume a história é o símbolo da morte do The Comedian, o smiley com uma gota de sangue.

Saí do cinema e dei de cara com a capa da Veja, que, justamente na semana de estreia de Watchmen, coloca um smiley amarelo na capa, relacionado à crise financeira internacional. Não pode ser coincidência…

O lindo é ver que, no final do filme, o diretor Zack Snyder também ironiza essa desconstrução pós-moderna, quando um jornalista vestido com uma camiseta de smiley deixa cair um pouco de catchup na roupa — e qualquer referência ao Comedian é destruída pelo acaso.
As coisas demoram para ser construídas. E vão embora em qualquer acaso.
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PS: btw, eu, Bruno e Matias escrevemos sobre Watchmen no Link desta semana:
http://www.link.estadao.com.br/index.cfm?id_conteudo=15398
http://1ou2escritos.wordpress.com/2009/03/02/a-narrativa-transmidia-a-partir-de-watchmen/
estado em que o indivíduo responde de forma inadequada aos estímulos externos e apresenta desorientação, esp. quanto à sua identidade e quanto ao tempo e espaço
Estou numa fase de não conseguir organizar direito os pensamentos. Estranho. Weird. Especialmente no meu caso, que sempre vivi sob a síndrome do cerebralismo, da racionalização. Minha cabeça borbulha como sempre, mais talvez, mas o máximo que consegue produzir de palpável é o necessário para sobrevivência: reportagens e páginas de jornal. É o que dá grana por enquanto e que não demanda outra coisa que o botão de piloto automático. Fora isso são vários posts rascunhados, muitas ideias mirabolantes mal formatadas, trechos de canções, insights etéreos, dezenas de livros pela metade, filmes para ainda pensar sobre.
Isso talvez faça parte do processo de formação artística, que voltou à condição de vento em popa desde o início de fevereiro – e coincide com o jejum de impressões escritas neste blog. Some à absoluta falta de tempo (ou melhor, ao desperdício fundamental de tempo em atividades não enobrecedoras no trabalho) e pronto. Temos um sujeito confuso.
Não fosse o caos, é isto que deveria ter chegado ao Cubo nos últimos dias:
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- Fiz duas matérias pro Link, uma delas sobre teatro (ahá!): http://1ou2escritos.wordpress.com/2009/02/23/perfil-da-cia-barbixas-de-humor/, sobre a Cia. Barbixas. Foi um texto arriscado (isso não significa bom) como poucas vezes consegui publicar na grande imprensa. Os caras até comentaram no blog (e minha amiga Ariana, que deixou de ser míope nesta semana, viu): http://www.barbixas.com.br/blog/?p=64.

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- A outra foi sobre o quadrinista Rafael Sica: http://1ou2escritos.wordpress.com/2009/02/09/perfil-do-quadrinista-rafael-sica/, autor de algumas tirinhas q eu republico às vezes neste blog (veja como ele é foda na abaixo). Só que dessa vez o texto arriscado não passou (os limites na grande imprensa são tão grandes quanto a imprensa se considera grande) e acabou no limbo da burocracia literária. Enfim, leia se quiser.
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- Fiz um vídeo pra TV Estadão sobre pirataria na internet. Naquela semana fazia todo sentido, hoje já quase esqueci dele.
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- Migramos as peças do Teatro Para Alguém para o YouTube, a primeira entre várias iniciativas wébicas que ainda vão rolar. O canal: http://www.youtube.com/teatroparaalguem. Veja um exemplo em alta definição (e aproveite pra seguir a gente no Twitter – http://twitter.com/teatrotpa):
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Fora isso, conheci umas pessoas novas, re-conheci umas antigas e me surpreendi com outras. Com algumas, que pena, não me surpreendi e acabei arranjando confusão. Enquanto isso, o cabelo crescia, as unhas também, e ainda mais as contradições. Como sempre será.
O importante é ser tranquilo e otimista, não é, Vivian?
palmas loucas pra ele
Não sabia que o Pachecão estava escrevendo para a Palma Louca. É um site bizarro de uma marca de cerveja brasileira feita para exportação que tem o intuito de vender o Brasil como um negócio exótico, tropical. Por isso o cara consegue fazer jornalismo no que isso há de puro (leia-se aqui falta de interesses estranhos): contar histórias. Tem a do tio que só anda de pijama por SP, a tia que procura desaparecidos por conta própria e a da fruta taitiana noni, que faz um mal de doer e alimenta uma máfia desconhecida dos grandes jornais e suas importantíssimas notícias sobre as coisas que muito nos interessam.
Veja.

Maniqueísmo
Saiu hoje no Jornal da Tarde um texto com tanto sangue nas entrelinhas que assusta. Um repórter do caderno Variedades teria mentido à chefia sobre uma entrevista com Tônia Carrero. Teria dito que a entrevistara no sábado passado, mas na verdade a conversa teria acontecido há um ano. “Enganada”, a chefia publicou a entrevista e descobriu a picaretagem. O cara assumiu e, lógico, foi demitido. Instituiu-se então o maniqueísmo, típicos em casos assim: o repórter é todo o mal encarnado, que apodrece diante da nobreza e pureza do resto dos colegas, chefes e assessores de imprensa. Até as novelas já não são mais bandido contra mocinho.
É um exemplo claro das relações trabalhistas em empresas jornalísticas hoje, em que a confiança e a transparência de cima para baixo tendem a zero. Não estou defendendo a atitude do repórter, de maneira alguma, só questionando se era preciso arruinar a carreira dele para sempre, citando nome e dirigindo a metralhadora para a cara dele numa nota destrutiva e com seus 10% de hipocrisia. Quantas vezes erros tão ou mais graves desaparecem em erratas microscópicas?
Tudo são revistas velhas
O papel amarelado mostra mais ou menos há quanto tempo eu guardo essa tirinha. Era o primeiro ano da faculdade de jornalismo. Eu acreditava nela. O Calvin tinha descoberto o valor dos repórteres e suas importantes informações. Hoje, eu percebo e concordo: é uma imensa, precisa, clara e irremediável ironia.


Uma revista de teatro
A editora Lazuli lançou em São Paulo no meio do mês a revista Teatro EnCena. É a primeira que eu conheço com o conteúdo voltado totalmente a teatro e artes cênicas. O lançamento foi lá no Parlapatões, inclusive porque no conselho editorial está o diretor deles, Hugo Possolo. O diretor da Lazuli, Miguel de Almeida, que assina a publicação e também faz matérias, se uniu a gente com algum poder no meio pra viabilizar a revista. Custa R$ 10,90 e será bimestral.

O projeto me agradou. A primeira edição tem uma grande reportagem sobre os 50 anos do Oficina, uma entrevista estilo Caros Amigos (vários entrevistadores não necessariamente jornalistas) com Juca de Oliveira, matérias grandes sobre Victor Garcia e o grupo Ornitorrinco, além de um especial com fotos do Pia Fraus. Fora isso, a revista traz as seções Primeira Fila, com entrevistas de atores/diretores/autores de espetáculos em cartaz, e Respeitável Público, sobre as platéias.
A maior parte do conteúdo é formada por entrevistas, tipo pergunta-resposta (na primeira edição tem Milton Hatoum, Sábato Magaldi, Luís Melo, Fernando Bonassi, Zé Celso). Isso é bom, a meu ver, porque o teatro tem mais verdade abertas do que certezas fechadas – e reportagens autorais quase sempre deixam algum rastro ideológico. Já que é para fazer jornalismo, que se tire o jornalista do meio. Tavez seja um caminho, além de ficar mais gostoso de ler.
Antes de vc perguntar, a EnCena não está LOTADA de anunciantes, como era de se desejar. A maioria é do governo do Estado e Sesc, além de Livraria Cultura, Livraria da Vila e de alguns grupos e peças. Tomara que não desistam e façam as próximas edições existirem.
Achei o formato bem legal. Principalmente pq favorece as matérias. Seria difícil que um texto de um repórter qualquer sobre Juca de Oliveira terminasse tão rico quanto a entrevista pura e simples. Leia dois trechos e avalie se, só eles, já não valem os R$ 10,90:
O teatro, na verdade, nasceu da religiosidade. Ele nasceu no templo. Quando você pega uma manifestação de índios em volta da fogueira, eles estão representando uma peça de teatro. Só que não é de centenas de séculos, como no caso de Aristóteles, é de milhares de séculos. E esses ritos são tão teatrais que têm enredo, figurino, maquiagem, canto, dança, fala. E que representação é essa? É aquela por meio da qual eles conjuram os demônios e pactuam com os deuses para que, no dia seguinte, a caça e a pesca sejam benfazejas. E hoje é a mesma coisa. As pessoas vão ao teatro porque elas querem pactuar com os deuses e conjurar os demônios, para que amanhã dê certo a guerra do trânsito, a caça do dinheiro, para que elas fiquem em paz, para que aquilo [o teatro, a arte] consiga conciliá-las com as fantasias que elas precisam viver também. É muito parecido. Nós devemos cultuar alguém. Eu cultuo as musas. Acho que os deuses são terríveis e extremamente vingativos. Eu vejo que essa trajetória minha de sair da Globo tem muito a ver com religião. Por que um cara faz esse caminho?
Um outro problema muito interessante era o seguinte: eu vinha tanto da escola [da EAD] quanto do TBC, um teatro de palco italiano, e caímos no Arena, que é um círculo muito pequeno e com um cenário ainda — o Flávio Império fazia cenários nesses espetáculos. Você contracena do lado do espectador, contracenava-se muito nos corredores, e isso significa representar literalmente do lado da pessoa que está na platéia. E você fala, briga, etc. do lado do cara que está sentado ali, dava para ouvir a respiração dele. Isso em todas as fileiras, de cima a baixo. Outro problema: como você está num espaço de três dimensões e não de duas, como no palco italiano, você fica no meio. O espectador começa a fazer parte. Eu, Guarnieri, Miram Muniz, Isabel Ribeiro ali, e as pessoas que estão sentadas na primeira fileira juntas, com o pé dentro do palco. Isso muda absolutamente a relação, fica tudo orgânico, comestível. O realismo fica elevado às últimas conseqüências. Aumenta a necessidade de buscar verossimilhança, credibilidade absoluta naquilo que se fazia, sem nenhuma possibilidade de você “representar”, você tinha que procurar viver no limite para que tudo fosse convincente. Há uma briga e o personagem chora, a lágrima cai no colo do espectador. Não existe faz-de-conta. Aliás, nós não inventávamos nada, estávamos apenas aplicando o Stanislavski, de forma mais moderna, através do Actor’s Studio.
Quer mais? Tome Ugo Giorgetti:
Hoje, contudo, meu amor pelo teatro é ainda mais forte porque ele recompõe minhas forças exauridas por um cinema que se transforma mais e mais num brinquedo, num quebra-cabeça para técnicos tristes, concebido para pessoas com habilidades manuais e tendência para desmontar chuveiros.
Origami, um blog
A revista Origami Mag lançou um site em formato de blog. Eu tinha criticado o fato de uma revista tão bacana, gratuita, descolada e com alguma independência apesar dos anunciantes ainda não ter chegado à web. Volto atrás na crítica, então.

Como era de esperar, os caras disponibilizam o conteúdo inteiro de edições antigas da revista. Cada página é um jpeg. Podia ter tudo em PDF pra download, não? E as edições atuais. Qual seria a diferença, já que a revista não é vendida?
Bom, de qualquer forma, vá lá: http://origamimag.wordpress.com
[Posts relacionados: Origami, uma revista e Origami, uma senhora revista]
‘Com o tempo, também não houve mais interesse’
Dei uma entrevista sobre Second Life para o TCC de uma estudante de jornalismo de São José dos Campos. Tudo bem que, um ano depois, talvez não seja a melhor hora para estudar o tema. Mas é a velocidade da academia. Veja as respostas.

1) Você foi contratado especialmente para trabalhar como jornalista dentro do SL ou você já trabalhava na mesma empresa? Se já, como foi essa mudança entre ser um jornalista no mundo real e passar a ser no virtual? Sim, fui contratado especialmente para atuar dentro do SL. Na prática, não houve tanta mudança. Os conceitos jornalísticos e a técnica se mantêm em qualquer que seja a área (ou o mundo) de cobertura. No SL também é necessário saber o que é notícia, quais os aspectos éticos ali implicados e o que está em jogo na divulgação pública de informações. Muda só a plataforma. Muita gente hoje, no jornalismo convencional, usa o MSN para fazer entrevistas. Qual a diferença para o chat do SL a não ser o universo 3D? Nenhuma.
2) Como foi sua experiência dentro do Second Life e quando criou seu avatar? Está atuando ainda dentro do metaverso? Criei meu avatar bem antes de ser contratado para trabalhar lá dentro. O interesse inicial foi a diversão e um sentimento típico de “early adopter” – usar a novidade assim que é lançada, comportamento que tenho até hoje com serviços e produtos digitais. A experiência lá foi como a de muitos usuários: fui atrás de dinheiro e de formas de gerar conteúdo colaborativo relevante. Fiz algumas reportagens para um outro jornal em que trabalhava, o Diário da Região, em S.J. do Rio Preto/SP, passei a colunista de internet e SL e, depois, fui chamado pelo Estadão. Hoje, não atuo mais no metaverso como jornalista.
3) Quanto tempo fica online dentro do SL? Hoje, nem um minuto. O SL não faz mais parte da minha vida.
4) Usava seu avatar somente para o trabalho ou também como finalidade de jogar? Depois de contratado pelo jornal, só usei meu avatar com finalidade de trabalho. Não por causa de qualquer orientação nesse sentido, mas porque não dava mais tempo de “jogar” (embora não fosse um jogo propriamente dito). Com o tempo, também não houve mais interesse.
5) Sente realmente que viveu uma segunda vida dentro do SL? Não. Tenho uma opinião um pouco radical sobre isso. Muito pouca gente viveu de fato uma segunda vida lá – e, se diz que viveu, na minha visão está iludido com o formato. Simplesmente não há uma segunda vida a ser vivida. Daí veio muito do fracasso que hoje se vê no SL. Pensar o programa como uma tentativa de colocar a terceira dimensão na internet ou até de compartilhar conhecimento é mais justo e útil do que imaginar que ele serve para as pessoas se recriarem e buscarem outros sentidos para a vida. Eu teorizo melhor sobre o assunto numa reportagem grande no Link de 7/jan: http://cubomagicoblog.wordpress.com/2008/01/07/a-segunda-vida-ja-era-o-que-vem-agora/
6) Na sua opinião, o que leva as pessoas a criarem uma segunda vida através da internet e por que elas estão deixando de viver em sociedade para ficar na frente de um computador interagindo com outras virtualmente? Elas não estão deixando de viver em sociedade para ficar na frente de um computador. Quem faz isso (são pouquíssimos) tem certamente problemas de ordem psicológica (timidez excessiva, fobia social ou algo do gênero). O Hospital das Clínicas, em SP, mantém inclusive um programa para viciados em internet. O Second Life não deu certo justamente por isto: não há uma segunda vida a ser vivida. Falei disso na resposta anterior.
7) Como profissional de comunicação quais as vantagens que uma segunda vida pode trazer para a sua área de atuação? No meu caso, pensando de forma imediatista, trouxe um emprego. Mas que logo se mostrou inviável – por isso busquei outros caminhos no jornal, até chegar ao Link. Hoje, acho que não há vantagens específicas para um jornalista usar o SL. Profissionalmente falando. Mesmo porque, em 2008, o assunto sumiu do agenda-setting.
8 ) Quais as funções que exercia dentro do SL? Como é seu personagem? As características dele são as mesmas que as suas ou você criou um personagem literalmente? Eu era repórter. Buscava notícias em blogs, eventos e outras fontes lá dentro para depois publicá-las no jornal Metanews, atualizado diariamente. Eu também editava o jornal. A aparência do meu personagem nada tem a ver comigo na vida real, mas o modo de agir, comportamento e visão de mundo são indissociáveis. A não ser no caso dos atores profissionais (digo isso porque também estudo teatro e interpretação dramática), ninguém consegue manter uma outra personalidade online 100% do tempo – por isso acredito não haver personagens, mas representações de nós mesmos.
9) Qual foi a intenção da empresa onde você trabalha ao querer colocar um jornalista dentro desse universo? Foi uma estratégia de marketing. Quando o SL estava no auge, no primeiro semestre de 2007, seria interessante para a marca “Estadão” ser vinculada a iniciativas digitais – um momento em que a empresa buscava contornar o gap que tinha em internet. Tanto é que logo depois houve a reformulação do estadao.com.br, o lançamento do Limão e do Território Eldorado. Outros produtos devem vir até o final deste ano (um deles aqui). Quem pode falar melhor sobre isso são os profissionais da área de Mercado Leitor do Grupo Estado.
10) Você fez muitas amizades dentro do SL ou manteve só contatos profissionais? Nenhuma amizade. Só contatos profissionais que, hoje, não existem mais, visto que já não atuo no SL.
Eu organizo o movimento, eu oriento o carnaval
Alguém acompanhou a “discussão” entre o Caetano Veloso e o Jotabê Medeiros, repórter e crítico de música do Estadão? Já faz um tempinho, mas vale postar aqui porque gera uma puta reflexão sobre o papel da crítica, a eventual arrogância de artistas e o jogo de poder que circunda a cultura deste país.

Resumindo: o Jotabê escreveu esta crítica no Caderno2 sobre o show do Caetano e do Roberto Carlos em comemoração à Bossa Nova (aliás, nenhum deles fez parte do movimento). O Caetano respondeu no blog dele com este post. Bateu mais ainda com este outro post. O Jotabê replicou uma, duas e três vezes. E o Caetano treplicou.
A argumentação de ambos é rica, bem escrita e traz muitos elementos para destruir tanto jornalistas que cobrem cultura quanto artistas que se acham totens. Leia.
Falando em crítica, vale muito a pena ver estes dois textos também:
Yan Michalski – “O declínio da crítica na imprensa brasileira”
aqui
Sérgio Sálvia Coelho – “O crítico pós-dramático: um alfandegário sem fronteiras”
parte 1, parte 2, parte 3, parte 4, parte 5
Aliás, o Sérgio anunciou anteontem que deixou o cargo de crítico de teatro da Folha para voltar a dirigir. O texto que eu brinquei de encenar no FIT 2006, o Uroborus, é dele. No FIT deste ano, ele provou pros loucos do +zero que manja também de futebol. Boa sorte, cara.
Um jornal do futuro. Ué, há jornal no futuro?
Estudantes de jornalismo (meu deus, as pessoas realmente ainda fazem jornalismo… não avisaram elas?) da University of Miami fizeram um trabalho sobre o que seria o jornal do futuro. Foi o resultado de uma série de aulas com a renomada fotógrafa Maggie Steber. Veja as fotos abaixo.
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O designer Mario Garcia se impressionou pelo fato de uma publicação supostamente futurista ainda seja impressa, e não online ou, sei lá, por celular. Estudantes conservadores esses… ou realistas, vai saber.
No Brasil, a discussão sobre o futuro dos jornais chegou à academia (USP) pelas mãos de um profissional, Lourival Sant’Anna. Ele escreveu o livro O Destino do Jornal baseado em sua dissertação de mestrado, com anacronismos típicos da geração dele e sem tanto fundamento sobre as novas mídias (ou dá pra escrever sobre o Twitter, por exemplo, sem usá-lo para entendê-lo?).
Jornalismo não tem me empolgado muito, mas achei que o Tab merecia um post.
Só uma última coisinha pra justificar um exemplo gringo de um cara meio entusiasta das coisas da “casa”. Os estudantes brasileiros será que não fazem coisas semelhantes? Sinceramente tenho minhas dúvidas (visto que fui um e na faculdade não atingia uma complexidade de pensamento tão, digamos, profissional). Mas, independentemente disso, é difícil fugir da síndrome de vira-lata.
A reinvenção e o futuro da roda
Por que as empresas de comunicação brasileiras gostam de reinventar o que já existe na internet? Além de existir, é bom, de graça, tem milhões de usuários e constante aprimoramento por comunidades do mundo inteiro.
Um exemplo. Outro exemplo. Terceiro exemplo. Mais um.
Falando em internet, imperdíveis estes vídeos sobre o Aurora, browser em projeto no Mozilla Labs, visto como a próxima geração do Firefox. Aliás, impressionante como nenhuma gigante da mídia ainda não desenvolveu um navegador próprio, exclusivo para seu microuniverso de leitores…
Futuro Bozó
Aqui dentro do Estadão está a mesma boataria de fora: ninguém sabe direito o quanto de verdade tem na história de a Globo querer comprar o jornal. Várias coisas foram publicadas nesses últimos dias. O primeiro, do muito duvidoso blog Giba Um, que baseou o Portal Imprensa, que fez o Comunique-se correr atrás. Apenas neste último texto há algo mais concreto, a Infoglobo confirmando que analisa a oportunidade de compra. E só.
Ontem à noite, a Comunicação Interna do Grupo Estado enviou um comunicado por e-mail aos funcionários, com o seguinte texto: “O Conselho de Administração do Grupo Estado nega as informações que têm sido veiculadas sobre a venda parcial ou integral desta companhia”. E só.
Qualquer que seja o acordo, é engraçado se imaginar como um futuro Bozó, o clássico personagem de Chico Anysio. Qualquer dia desses posso acordar “global”. E só.
Já que estamos no tema Estadão, quero voltar rapidamente ao assunto “censura”. Um especial online no portal estadao.com.br é realmente imperdível. Como “comemoração” aos 40 anos de 1968, estão organizadas lá as páginas censuradas durante o Regime Militar no Brasil. O bacana é que tem as páginas originais, que nunca saíram do Arquivo do jornal, e a versão que acabou indo para as bancas. Importância histórica incomensurável. Será possível colocar um preço nisso? Veja aqui.










