Cubo Mágico

aqui tinha artes, teatro, cultura digital e crônicas contemporâneas

Archive for the ‘Internet’ Category

Todas as críticas oficiais do FIT, só que ‘abertas’

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Acabei de abrir outro blog, temporário e com a intenção de arquivar material para consulta eterna. É o Painel Crítico – FIT 2009, com as críticas oficiais do Festival Internacional de Teatro de São José do Rio Preto.

lay-out Painel Crítico

A descrição (original aqui):

Festival Internacional de Teatro de São José do Rio Preto (FIT) se diferencia dos demais por oferecer ao público especializado ou não um painel de críticas de todos os espetáculos selecionados – então, além de vitrine de espetáculos, o festival se propõe realmente a discutir linguagem, estética, influências e a temática do teatro contemporâneo brasileiro e internacional.

Mas…

Todas as críticas ficam fechadas no site do festival. Não tem nem como fazer referência aos textos e colocar links, quanto mais pensar em comentá-las. O site todo é péssimo, desenvolvido em flash com mil movimentos em cada item e usabilidade sofrível.

Abro este blog para abrir também as críticas do festival, para poupar a organização dos comentários negativos sensatos de sempre: a classe teatral só discute entre si e as peças e todo o debate em torno delas são herméticos por natureza.

Quem sabe não sirva também para apresentar a internet ao FIT – ferramentas gratuitas, integradas, aberta a comentários, participação do público e acessibilidade. Não adianta discursar sobre interatividade e as “instâncias da subjetividade” (o “conceito” do FIT 2009) com um site como este: www.festivalriopreto.com.br.

Aproveitem, comentem e espalhem os textos de Clóvis Massa (Porto Alegre), Lúcio Agra (São Paulo), Luiz Marfuz (Salvador), Maria Beatriz de Medeiros (Brasília), Kil Abreu (Santo André) e Walter Lima Torres (Curitiba).

Estou acompanhando o FIT desde sábado (18) e fico até o próximo (25). Logo posto impressões sobre as peças. Elas são só um dos motivos que me trazem a Rio Preto – tem também os amigos, a cerveja, o calor e as férias.

Written by Lucas Pretti

julho 20, 2009 at 18:15

luzes, texturas, fotografias e afins

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Mataram a pau as fotos do Zé Luiz Sampaio no dia da transmissão de Por Conta da Casa.

Assim como a direção de fotografia do Kao:

Por Conta da Casa

Por Conta da Casa

Por Conta da Casa

Por Conta da Casa

Por Conta da Casa

‘Qual a hora mais difícil do dia? Essa é uma boa pergunta de se fazer’

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Quem perdeu o ao vivo na sexta-feira pode assistir a versão gravada de Por Conta da Casa no Teatro Para Alguém. Como eu sou bonzinho, vou embedar os três atos aqui neste post. Não deixe de comentar o que você achou lá no site. Eu particularmente achei tesão a fotografia que o Kao criou.

FICHA TÉCNICA

‘POR CONTA DA CASA’
Texto: Sérgio Roveri
Diretor: Zeca Bittencourt
Diretora assistente: Tatiana Guimarães
Elenco: Zemanuel Piñero e Lucas Pretti
Diretor de fotografia: Nelson Kao

SINOPSE: Um cliente estranho e armado entra de madrugada em um boteco sujo no centro da cidade, em que já não há mais nenhum freguês. Ali dentro, o garçom, que já estava se preparando para fechar a casa, passa a ser ameaçado pelo cliente. Calado, o garçom ouve do visitante todo tipo de insulto e torna-se vítima de suas ameaças físicas também — até que toda verborragia do freguês revele suas verdadeiras intenções.

cinema ao vivo

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Fiquei meio frustrado a primeira vez que ouvi falar do Cinema Vivo, na semana passada, porque não os conheci a tempo de divulgar o projeto na matéria sobre teatro digital que publiquei outro dia no Estadão. Mas tudo bem, uma pena, mas foda-se. Pouca gente deve ter lido mesmo. O projeto é tão legal que torço para não precisar da babação da grande imprensa.

A ideia é parecida com a do Teatro Para Alguém, mas voltada para o cinema. Eles vão fazer um filme ao vivo, o Fluidos. As pessoas sentam na sala de cinema, as projeções começam, com cortes, edição, efeitos sonoros etc., mas tudo ao vivo. Os atores estarão em três ou quatro locações ao redor do CCSP e as imagens serão transmitidas pela internet. O que é isso se não teatro ao vivo, como a gente faz, mas com outras regrinhas? Muito boa ideia. Contemporânea. Dialoga com o cerne do teatro digital que discuti na matéria e engrossa o coro de artistas ligados a tecnologia, explorando limites, possibilidades.

cartaz de 'Fluidos'

Certamente fazer um filme ao vivo (ou uma peça, como nós no TPA) não é o mais longe que pode chegar o efeito da internet nas artes performáticas e audiovisuais. Mal é um primeiro passo. São os artistas entendendo o que têm nas mãos. Para daí sim ultrapassar a barreira do suporte/formato para chegar à alguma maturidade de linguagem.

O site dos caras – www.cinevivo.com.br – é um blog. Dá pra acompanhar um pouco do processo de criação por lá. Direção de Alexandre Carvalho.

A exibições ao vivo serão nos diaas 16, 24 e 30 de maio, lá no CCSP, às 14h. Bilheteria abre uma hora antes (a velha mania de não vender a porra dos ingressos pela internet. Quando Sesc e CCSP vão acordar pra isso?).

Vai ser legal.

Written by Lucas Pretti

abril 26, 2009 at 17:39

por favor diga alguma coisa

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Porra. Lindo o curta de animação Please Say Something, de David O’Reilly, que ganhou o Urso de Ouro em Berlim neste ano. Foi o primeiro filme para web a ser premiado lá. Uma gata e um ratinho fazem um casal que não se ouve, em que cada um vive na sua solidão contemporânea — diversa (de diversidade), egoísta e carente. Porra.

Written by Lucas Pretti

abril 23, 2009 at 22:15

arte cênica binária

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Reproduzo aqui uma matéria minha sobre teatro digital publicada no Estadão. Por ser um tema infelizmente raro, deixo o texto aqui na íntegra, com o objetivo de popularizar o assunto e deixá-lo mais buscável/encontrável na internet.

As páginas originais você encontra aqui.

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Furacão digital chega ao teatro

Com a internet, corpos se digitalizam e surge um ‘teatro expandido’

Lucas Pretti, 20/4/09, Link/Estadão

A matéria-prima do teatro é o encontro, e não uma fita magnética, um rolo fotográfico, um vinil. A experiência do espetáculo ao vivo, tida como impossível de reproduzir, é o que vinha poupando as artes cênicas dos ventos digitais que há tempos já varreram discos, fotografias e filmes. Pois os ventos se tornaram furacão e conseguiram relativizar até a presença, a experiência. Com a internet, estar em algum lugar deixou de ser uma condição real, física. Os corpos se digitalizaram. E, com eles, o teatro.

Três cenas em três palcos espalhados pelo mundo, ligados pela internet. Exemplo de teatro digital na 'Play On Earth', da Phila 7 e Station House Opera, 2008. Crédito: Marcelo de Souza/Divulgação

Três cenas em três palcos espalhados pelo mundo, ligados pela internet. Exemplo de teatro digital na 'Play On Earth', da Phila 7 e Station House Opera, 2008. Crédito: Marcelo de Souza/Divulgação

Ainda não são muitos pelo mundo e no Brasil, mas grupos cênicos que pesquisam as possibilidades binárias do teatro lideram a vanguarda artística contemporânea. A complexidade vem justamente da fusão entre as atuais teorias de arte (remix, hibridismo, cibercultura) ao que há de efêmero no teatro.

As principais experiências, que o Link resume nesta semana, usam transmissões ao vivo pela web com o intuito de ligar e desligar palcos e plateias distantes geograficamente. Junte a projeção de vídeos, performances, iluminação, artes plásticas e há possibilidades infinitas.

Os próprios artistas não entendem direito a areia movediça sobre a qual propõem espetáculos inovadores. “Sabemos que falamos de algo que não é mais teatro, mas que tem na essência uma teatralidade expandida”, afirma Rodolfo Araújo, ator e estudioso brasileiro do chamado “teatro digital”.

A própria alcunha é perigosa por reduzir o conceito ao significado de digital entendido como eletrônico pela maioria das pessoas – e por incluir erroneamente o teatro tradicional filmado e postado no YouTube (que não é, definitivamente, uma experiência de teatro digital).

A discussão vai longe, mas já há teóricos debruçados sobre o assunto. A artista Nadja Masura, da Universidade de Maryland, nos EUA, trabalha numa tese em que condiciona o teatro digital a algumas características – basicamente a existência de alguém conduzindo o espetáculo, um texto (que não é apenas palavra) e o público. A questão é que todos os elementos são relativos hoje em dia e expandidos a níveis máximos.

Se você nunca ouviu falar de grupos como Phila 7, La Fura dels Baus, Station House Opera, II Trupe de Choque e Cia. Automecânica de Teatro, leia a reportagem até o fim e relativize a cortina vermelha, os três sinais e as máscaras da comédia e tragédia – que coexistem, claro, mas representam um teatro de outros tempos.

Teatro digital é a soma entre atores, 0 e 1 se movimentando na internet. A ação de dois atores em dois tempos e espaços diferentes correspondem a tempos infinitos e espaços virtuais. (…) O teatro digital é a linguagem binária sendo usada para conectar o orgânico com o inorgânico, o material com o virtual, o ator real com o avatar, a plateia presente com usuários de internet, o palco físico com o ciberespaço.”
Manifesto Binário, publicado pela companhia La Fura dels Baus

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Vida fragmentada do século 21 ganha espelho no teatro

Desconstrução do espaço e tempo, mistura de linguagens, fim da linearidade, ausência de uma mensagem fechada: um teatro feito de partes, como a realidade de hoje

As duas principais besteiras ouvidas quando se fala em teatro digital são especulações sobre a “morte” das peças tradicionais e a ironia típica dos puristas: “Isso não é teatro”. Não é mesmo e nenhum dos envolvidos com essa proposta artística sustenta o contrário, embora se mantenha a tríade atores, público e mensagem, que define teoricamente o teatro.

Gravação de '121.023 J', no Teatro Para Alguém. A câmera é o olho do público, na internet. Um novo conceito de presença. Foto: Nelson Kao/Divulgação

Gravação de '121.023 J', no Teatro Para Alguém. A câmera é o olho do público, na internet. Um novo conceito de presença. Foto: Nelson Kao/Divulgação

“A internet descentralizou os meios de produção, abriu a fase de colaboração e fez explodir a mistura de linguagens em todas as áreas profissionais. Então o que fazemos não é teatro. É qualquer outra coisa misturada. Mas isso, na verdade, pouco importa. É fluxo”, afirma o diretor da companhia paulista Phila 7, Rubens Velloso.

Ele dirige a trupe brasileira com mais visibilidade entre as interessadas na conversa entre artes cênicas e tecnologia, com três espetáculos tratados sob a ótica digital desde 2006: Play On Earth, A Verdade Relativa da Coisa em Si e What’s Wrong With the World?. Em todas houve ação à distância, com atores contracenando ao mesmo tempo em locais diferentes, até países. A foto acima evita muitas linhas de explicação.

O próximo espetáculo da Phila 7, em julho, pretende romper com o palco italiano e outros cânones do teatro convencional, como os momentos em que começa e termina o espetáculo e a linearidade, que será abandonada. Uma comparação feita pelo pesquisador Rodolfo Araújo situa o leitor menos acostumado com performances. “Na música eletrônica pouco importa o início e o fim, não é obrigatório dançar e também ninguém está interessado numa ‘mensagem’ fechada.” É o que ocorre com esse novo teatro.

Então estamos diante de uma revolução da forma? Não. O modo de se fazer é alterado substancialmente pela tecnologia, mas não faz sentido se não estiver relacionado ao conteúdo. O trabalho da companhia paulista II Trupe de Choque é um bom exemplo disso. Eles unem compromisso social, cultura livre e tecnologia para discutir, num espetáculo esperado para setembro, a condição do homem no atual sistema capitalista da informação.

A abordagem é tão complexa que lá se vão três anos de pesquisa no Hospital Psiquiátrico Pinel, em Pirituba, e na Usina de Compostagem de São Mateus, na zona leste da capital. O trabalho inclui pacientes do hospital e catadores de lixo num espetáculo que unirá os dois locais pela internet e terá uma terceira versão transmitida online.

“Estamos discutindo a centralidade do homem contemporâneo pela desconstrução do espaço. Se há três ações ao mesmo tempo, não há uma central. É sempre parte, nunca todo. Assim processamos as informações hoje”, afirma um dos atores da companhia, Fabrício Muriana.

A parte pelo todo é o objeto de pesquisa de uma corrente dramatúrgica contemporânea, dedicada à produção de textos hiperdramáticos. O termo foi cunhado em 2002 pelo escritor norte-americano Charles Deemer. É o texto do teatro digital.

Se há a abstração quase total levada à prática por companhias alternativas, também já tem gente fazendo teatro pela internet com uma cara mais próxima do público de hoje.

O projeto Teatro Para Alguém, idealizado pela atriz e diretora Renata Jesion, desde novembro mantém na internet produções periódicas de peças transmitidas ao vivo e arquivadas no YouTube. “Os atores interpretam para a câmera, mas na verdade há centenas de pessoas ali atrás. Estamos experimentando essa nova relação de presença”, afirma Renata.

O teatro flexível, palpável aberto, mixável só está começando. Para o público – que já não é mais apenas público, mas ator também – sobrou a função de ligar os pontos.

O digital traz para as artes a falta de definição. A tendência é misturar tudo, o que chamamos de sistemas híbridos. A linguagem se torna quântica de certa forma, com um mesmo signo tendo vários ou nenhum significado ou função.”
Lucia Santaella, semioticista autora do livro Cultura e Artes do Pós-Humano

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Texto de peça digital é ‘linkável’

A melhor forma de explicar o hiperdrama é o exemplo dado pelo autor do conceito, o escritor americano Charles Deemer, professor da Portland State University. Imaginemos Quem tem medo de Virginia Woolf?, peça de 1962 de Edward Albee, clássico do realismo norte-americano. A peça se passa na casa de George e Martha, que convidam Nick e Honey, outro casal, e os colocam em situações constrangedoras. A ação é fixada na sala de estar.

Na acepção de Deemer, a peça poderia muito bem ser remontada com um texto hiperdramático numa casa de verdade. Quando houvesse entrada e saída de personagens da sala, o público teria a escolha de acompanhá-lo e vê-lo realizando ações extras à peça original no banheiro, na cozinha, no quarto. Quem ficasse na sala, assistiria à peça como Albee a pensou.

É a aplicação do conceito de hiperlinks ao texto dramático. Não apenas varia a forma de contar a história como a enriquece e “complexifica”, deixando para o público diversas escolhas. Qualquer uma será, necessariamente, parte do todo. O exemplo não usou a internet. Imagine o que fazer quando o espaço for o ciberespaço.

Interessados podem ler a versão hiperdramática de Deemer para A Gaivota, de Anton Tchekhov, no site tinyurl.com/dleksd.

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Experiências estrangeiras

Imperium, La Fura dels Bals
La Fura dels Bauswww.lafura.com
Barcelona, Espanha
É o grupo autor do Manifesto Binário que deu origem ao nome “teatro digital”. Investiga as relações possíveis entre homens tendo a internet como meio e fim. Usa transmissões ao vivo como elemento cênico de grandes produções e lidera o movimento do novo teatro com as peças Imperium (foto), Metamorfosis, XXX, Obit e Naumon.

Play On Earth, Station House Opera
Station House Operawww.stationhouseopera.com
Londres, Inglaterra
Julian Smith é filha de um geneticista e fundou a companhia, originalmente um grupo de performers, para explorar as relações entre as pessoas e o meio ambiente – o digital também. Em Play On Earth (foto), o rosto projetado de um personagem é formado por dois atores atuando ao mesmo tempo.

Telematic Dreaming, Paul Sermon
Paul Sermonwww.hgb-leipzig.de/~sermon
Salford, Inglaterra
A instalação Telematic Dreaming, do artista britânico, está mais perto da performance que do teatro, mas inspirou atores e diretores a pesquisar, nos anos 90, a presença do digital na vida das pessoas. Uma cama serve de palco para qualquer um, inclusive atores, interagirem com projeções de vídeo cujas fontes também são a internet.

Experiências brasileiras

A Verdade Relativa da Coisa em Si, Phila 7
Phila 7www.gag.art.br
São Paulo
Os espetáculos foram avançando na discussão da presença, sob as teorias de Flusser (imagem técnica) e Foucault (espaços heterotópicos). O próximo espetáculo, sem nome, se baseia na pesquisa Desesperando Godot, inversão contemporânea do texto de Beckett. Godot chegar ou não pouco importaria para o mundo conectado de hoje.

ensaio, II Trupe de Choque
II Trupe de Choquewww.trupedechoque.org
São Paulo
Os 26 atores se dividem em núcleos para pesquisar tecnologia e vídeo. São quase três anos de estudos em áreas periféricas da cidade sob as teorias de Marx e da Escola de Frankfurt aplicadas ao capitalismo da informação. O espetáculo, em setembro, unirá locais pela internet para discutir o “centro” das coisas com a pretensão de fissurar o modelo hegemônico e alterar mentalidades.

Corpo Estranho, Teatro Para Alguém
Cia. Automecânica de Teatrowww.teatroparaalguem.com.br
São Paulo
A companhia convida autores contemporâneos, como Lourenço Mutarelli, para montar peças e transmiti-las pela web. Os espetáculos passados ficam disponíveis para sempre, num banco de dados que se fará riquíssimo com o tempo. A principal pesquisa é de linguagem e modelo de negócios, que mistura TV, teatro, cinema e internet.

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Teatro digital na estante


Hamlet no Holodeck
, de Janet Murray
www.editoraunesp.com.br/titulo_view.asp?IDT=102
A autora teoriza sobre as novas formas de narrativa contemporâneas e a necessidade da interrelação das artes.


Computers as Theatre
, de Brenda Laurel
vig.pearsoned.co.uk/catalog/academic/product/0,1144,0201550601,00.html
O livro trata da relação entre o teatro contemporâneo e os videogames. Eles são experiências dramáticas de certa forma.

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Encenação hi-tech nem sempre é digital

Da mesma forma que a relativização trazida pelo digital pode ser altamente benéfica para a criatividade e a arte contemporânea sem barreiras, é perigoso encará-la como uma abertura sem critérios. Nem tudo que usa tecnologia é inovador. Nem todo teatro com elementos eletrônicos é digital.

Deu sono a montagem de 'O Sono de Fauno', em Curitiba, pretensamente uma experiência de teatro digital. Foto: Divulgação

Deu sono a montagem de 'O Sono de Fauno', em Curitiba, pretensamente uma experiência de teatro digital. Foto: Divulgação

Um exemplo claro dessa confusão ocorreu no Festival de Curitiba deste ano, um dos eventos mais influentes do País. Uma das peças apresentadas na mostra Fringe, O Sono do Fauno, da companhia piauiense Os Shakespirados, tinha como atração dois atores contracenando por Skype. Um deles no Japão, outro no Brasil.

A peça usava palco italiano e todas as premissas do teatro tradicional, mas com texto e proposta cênica ininteligíveis. Um telão no fundo mostrava a gravação do ator no outro lado do mundo – o Skype não funcionou no dia, pois o Memorial Oscar Niemeyer não tem rede de internet disponível no anfiteatro –, sem nenhum ganho para a história. Era a tecnologia pela tecnologia, um recurso que poderia ser substituído criativamente por algo ali fisicamente no palco.

O Sono do Fauno também serve de exemplo para as dificuldades técnicas encaradas diariamente pelo teatro digital. É a minoria dos teatros que está equipada hoje com a infra-estrutura necessária para um espetáculo com internet.

A precariedade atinge inclusive as companhias de pesquisa. No Pinel, onde ensaia a II Trupe de Choque, não há rede banda larga. Para um espetáculo da Phila 7 existir, é preciso rede dedicada e uma parafernália técnica de câmeras e microfones. Tudo isso significa dinheiro, um tema delicado ao teatro, cujo fomento estatal está longe do ideal no Brasil.

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O diálogo teatro-tecnologia

Eletricidade
Eletricidade

A luz elétrica causou fervor no século 19. O recurso foi muito aproveitado pelo naturalismo, originou o movimento futurista moderno e possibilitou então formas menos figurativas de arte. Foi quando Edward Gordon Craig e Adolphe Appia revolucionaram a cenografia com as “esculturas de luz”. A iluminação passou a ser um dos pilares do abstracionismo teatral.

A dança de Loïe Fuller
A dança de Loïe Fuller

Espetáculos de dança da americana deram bases, a partir de 1890, a pesquisas mais profundas sobre iluminação. Nas coreografias de Loïe, a luz atuava ao lado da bailarina. A peça OP 1, da Phila 7, é uma releitura disso a partir da complexidade contemporânea.

'Arte total' de Wagner
‘Arte total’ de Wagner
O compositor alemão Richard Wagner produzia óperas grandiosas no século 19 e foi um dos primeiros a falar em “arte total” (Gesamtkunstwerk), a origem dos movimentos híbridos potencializados de forma gigante pelas novas tecnologias e a internet. O filósofo Friedrich Nietzsche analisou todos os movimentos artísticos e a natureza da arte a partir da obra de Wagner, no livro O Nascimento da Tragédia.

Contracultura e happening
Contracultura e happening

A contracultura dos anos 1950 e 60 assistiu ao aparecimento do happening, que mais tarde originaria a performance. Mantém a tríade do teatro (pessoa, texto, público), mas relativiza o espaço cênico e usa qualquer recurso para dar a mensagem.

Avatares
Avatares

Com a popularização da internet e o desenvolvimento das tecnologias gráficas, apareceu nos anos 2000 o conceito de avatar, a representação virtual utilizada em jogos e mundos virtuais. Qualquer um no controle de um avatar está representando, com fins dramáticos ou não. A noção de presença é ampliada, e as artes começam a se valer dela.

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ENTREVISTA – RODOLFO ARAÚJO

‘Teatro digital é presença na ausência’

Se tudo é relativo e permitido na era digital do teatro, parece impossível catalogar as ideias. Abaixo, o pesquisador Rodolfo Araújo traça um panorama da nova arte, com a única certeza de que ela é múltipla.

Já é possível falar na categoria “teatro digital”, assim como há o épico, rústico, físico?
Eu sou avesso a essas denominações. Acho que, da mesma forma que o Link é mais um caderno de cultura digital e menos um caderno técnico, o teatro também vive dessa mistura toda. Mas há quem use a expressão “teatro digital” e coloque limites para a execução, a existência – mesmo relativa – da tríade pessoa, texto, público.

Telepresença é fundamental para o teatro digital existir?
O que se vê muito em conferências, o cara em tamanho real num holograma 3D, é uma baita possibilidade para criar espaços cênicos de convergência total. Peças como Play On Earth trazem uma presença na ausência. O ator está aqui e na Inglaterra ao mesmo tempo, fazendo-se ver e ouvir numa presença inclusive social, porque ele interfere culturalmente com um grupo de pessoas. A carne deixa de ser uma necessidade inexorável.

Qual o futuro ou as novas possibilidades do teatro fora a telepresença?
É a questão do corpo. Na semana passada foi notícia o australiano Stel Arc, nome famoso da body art que colocou uma orelha no antebraço. Ele vai usar um microfone para tentar ouvir o que se passa nessa orelha (risos). São dimensões radicais, mas válidas para responder qual será o corpo biotecnológico do futuro. Que outras modificações o corpo pode ter num contexto de representação? É uma questão obscura, mas um dos caminhos.

A relativização contemporânea pode ser perigosa? Podemos chegar ao nada a partir do “tudo pode”?
Não acho. É um cenário de experimentação naturalmente confuso. Duvido que essas estéticas hoje testadas pela Phila 7 ou pela La Fura dels Baus sejam a mesma que irá se popularizar daqui um tempo. Não estamos numa estética definitiva. É o primeiro passo na direção de algo que ninguém sabe o que vai ser.

Mas não pode também ter a pretensão de ser massiva. Estamos na cauda longa, afinal.
Exatamente. O digital não se pressupõe massivo. O conceito de popular acabou, não deve ser a pretensão desse teatro. O processo é colaborativo, a própria ideia de direção mudará.

Em São Paulo, mesmo entre companhias “offline”, há uma força de teatro de grupo voltando, com criações coletivas. O digital é responsável por isso?
É também. O digital alimenta o físico, que realimenta o digital, e essa dialética faz a arte avançar. Definitivamente, vivemos num mundo sem verdades absolutas. Daí um espetáculo ser ultrapassado quando quer “vender” ideias fechadas. O teatro de grupo evita esse tipo de comportamento.

Disco em 24 horas, ano 2

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falei desses caras no ano passado. E eles devem repetir em 2009 a façanha de compor, produzir e gravar um disco em 24 horas, baseando as músicas nas notícias do jornal do dia. De novo a Panela Produtora (Filipe Trielli, Daniel Galli e Edu Santana) executa o projeto, só que com mais força neste ano. Terão a ajuda de Beto Lee, Max de Castro, Mauricio Pereira, Franklin Roolsvelt (repentista) e Ricardo Herz.

Acompanhe ao vivo a produção do álbum aqui:

more about “Justin.tv“, posted with vodpod

A boa notícia é que os caras tiveram a ideia do “Disco em 24 horas” como vitrine da produtora que tinha acabado de ser lançada. Se estamos no “ano 2″, quer dizer que os caras sobreviveram. Respeito.

Quem me deu a dica foi a ora bikegirl Natália Garcia.

Written by Lucas Pretti

abril 1, 2009 at 16:37

Publicado em Internet, Música

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E pra mim?

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Colocaram o Horacio Lafer Piva para entrevistar o presidente do Google América Latina, Alexandre Hohagen, na Época Negócios deste mês. Ele fez a melhor pergunta possível:

“Tem um emprego pra mim no Google?”

Gooooogle

Written by Lucas Pretti

março 16, 2009 at 4:01

estado em que o indivíduo responde de forma inadequada aos estímulos externos e apresenta desorientação, esp. quanto à sua identidade e quanto ao tempo e espaço

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Estou numa fase de não conseguir organizar direito os pensamentos. Estranho. Weird. Especialmente no meu caso, que sempre vivi sob a síndrome do cerebralismo, da racionalização. Minha cabeça borbulha como sempre, mais talvez, mas o máximo que consegue produzir de palpável é o necessário para sobrevivência: reportagens e páginas de jornal. É o que dá grana por enquanto e que não demanda outra coisa que o botão de piloto automático. Fora isso são vários posts rascunhados, muitas ideias mirabolantes mal formatadas, trechos de canções, insights etéreos, dezenas de livros pela metade, filmes para ainda pensar sobre.

Isso talvez faça parte do processo de formação artística, que voltou à condição de vento em popa desde o início de fevereiro – e coincide com o jejum de impressões escritas neste blog. Some à absoluta falta de tempo (ou melhor, ao desperdício fundamental de tempo em atividades não enobrecedoras no trabalho) e pronto. Temos um sujeito confuso.

Não fosse o caos, é isto que deveria ter chegado ao Cubo nos últimos dias:

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- Fiz duas matérias pro Link, uma delas sobre teatro (ahá!): http://1ou2escritos.wordpress.com/2009/02/23/perfil-da-cia-barbixas-de-humor/, sobre a Cia. Barbixas. Foi um texto arriscado (isso não significa bom) como poucas vezes consegui publicar na grande imprensa. Os caras até comentaram no blog (e minha amiga Ariana, que deixou de ser míope nesta semana, viu): http://www.barbixas.com.br/blog/?p=64.

Barbixas

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- A outra foi sobre o quadrinista Rafael Sica: http://1ou2escritos.wordpress.com/2009/02/09/perfil-do-quadrinista-rafael-sica/, autor de algumas tirinhas q eu republico às vezes neste blog (veja como ele é foda na abaixo). Só que dessa vez o texto arriscado não passou (os limites na grande imprensa são tão grandes quanto a imprensa se considera grande) e acabou no limbo da burocracia literária. Enfim, leia se quiser.

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- Fiz um vídeo pra TV Estadão sobre pirataria na internet. Naquela semana fazia todo sentido, hoje já quase esqueci dele.

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- Migramos as peças do Teatro Para Alguém para o YouTube, a primeira entre várias iniciativas wébicas que ainda vão rolar. O canal: http://www.youtube.com/teatroparaalguem. Veja um exemplo em alta definição (e aproveite pra seguir a gente no Twitter – http://twitter.com/teatrotpa):

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Fora isso, conheci umas pessoas novas, re-conheci umas antigas e me surpreendi com outras. Com algumas, que pena, não me surpreendi e acabei arranjando confusão. Enquanto isso, o cabelo crescia, as unhas também, e ainda mais as contradições. Como sempre será.

O importante é ser tranquilo e otimista, não é, Vivian?

Written by Lucas Pretti

março 2, 2009 at 1:32

Barba Negra S/A

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Dando sequência ao plano de subverter o mundo e transgredir a ordem da imprensa, uma matéria sobre pirataria com o mínimo de hipocrisia e conservadorismo possível. Digo mínimo porque  a gente ainda não chegou ao ponto de dar os torrents com mais seeders e leechers. Mas todo mundo já sabe mesmo, não precisa de jornalista pra isso. Aliás, precisa de jornalista pra quê?

Ei-la:

Somos todos piratas?
http://www.link.estadao.com.br/index.cfm?id_conteudo=15266

Ou aqui a página na íntegra:
http://1ou2escritos.wordpress.com/2009/02/02/todos-somos-piratas-entao-por-que-esconder/

Written by Lucas Pretti

fevereiro 2, 2009 at 15:43

resumindo, falta pólen

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Estou participando/cobrindo a Campus Party. A conexão de 10 Gbps é realmente incrível, embora instável — foram 7 filmes pro bolso em 5 horas. Resumi no Twitter minhas nem tão boas impressões:

a #cparty tem suas qualidades, mas dois defeitos gravíssimos: falta feromônio, pólen, libido. e cerveja. é tudo mto certinho, credo.

Ainda acho isso. E mais umas coisinhas. Veja abaixo.


E acompanhe os comparsas de luta no blog.


Written by Lucas Pretti

janeiro 21, 2009 at 13:52

Publicado em Internet, Tecnologia

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Origami, um blog

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A revista Origami Mag lançou um site em formato de blog. Eu tinha criticado o fato de uma revista tão bacana, gratuita, descolada e com alguma independência apesar dos anunciantes ainda não ter chegado à web. Volto atrás na crítica, então.

Blog da revista Origami

Como era de esperar, os caras disponibilizam o conteúdo inteiro de edições antigas da revista. Cada página é um jpeg. Podia ter tudo em PDF pra download, não? E as edições atuais. Qual seria a diferença, já que a revista não é vendida?

Bom, de qualquer forma, vá lá: http://origamimag.wordpress.com

[Posts relacionados: Origami, uma revista e Origami, uma senhora revista]

Written by Lucas Pretti

dezembro 3, 2008 at 16:05

Publicado em Achados, Internet, Jornalismo

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Link, 27/10, e o Natal da putaria

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Minhas reportagens no Link desta semana falam de automobilismo, principalmente sobre Fórmula 1. Veja:

Todo mundo quer sentir a velocidade na internet
Os bastidores na visão de quem está lá
Automobilismo 2.0 anda à toda entre brasileiros
Sites de equipes são lindos (e chatos)
ACESSE ANTES DAS CORRIDAS
DURANTE AS CORRIDAS
DEPOIS DAS CORRIDAS

Essa história toda me lembrou outra, do ano passado. Na semana anterior ao GP do Brasil, como esta, eu fiz uma matéria para o estadao.com.br sobre o turismo sexual em SP. A Fórmula 1 é o Natal da putaria de luxo. Foi quando entrevistei a Bruna Surfistinha e o Oscar Maroni. Hahaha. Que currículo! Vê aí no que deu:

GP do Brasil aquece mercado do turismo sexual em SP
Vinda de estrangeiros aumenta freqüência em boates e audiência em sites de acompanhantes

Written by Lucas Pretti

outubro 30, 2008 at 3:09

Vamos criar um mapa com todos os teatros de SP?

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Acabei de disponibilizar um trabalhinho feito no Google Maps que espero espalhar por aí e ver ganhar adeptos. É um mapa com todos os endereços de teatros na cidade de São Paulo. Coloquei de início 58 pontos, entre salas tradicionais como o Theatro Municipal, na Praça Ramos, e marginais como o Teatro do Ator, na Praça Roosevelt. Óbvio que está incompleto — e este é um convite: ajude a melhorá-lo.

O mapa está aberto para edição de qualquer usuário. Basta clicar neste link, fazer login no Google e incluir novos endereços ou modificar eventuais erros. A idéia é, com o tempo, também ter endereços de companhias, telefone, fotos e espetáculos em cartaz. Mas isso só será possível se mais e mais gente estiver a fim.

Para ver o mapa, clique aqui ou no link “Teatros, o mapa” no cabeçalho deste blog. Para edição, visualização e busca no Google Maps, entre aqui. Para saber de atualizações, assine este RSS.

É só unindo forças que será possível estimular e aumentar as platéias.

Written by Lucas Pretti

outubro 19, 2008 at 17:08

‘Com o tempo, também não houve mais interesse’

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Dei uma entrevista sobre Second Life para o TCC de uma estudante de jornalismo de São José dos Campos. Tudo bem que, um ano depois, talvez não seja a melhor hora para estudar o tema. Mas é a velocidade da academia. Veja as respostas.

1) Você foi contratado especialmente para trabalhar como jornalista dentro do SL ou você já trabalhava na mesma empresa? Se já, como foi essa mudança entre ser um jornalista no mundo real e passar a ser no virtual? Sim, fui contratado especialmente para atuar dentro do SL. Na prática, não houve tanta mudança. Os conceitos jornalísticos e a técnica se mantêm em qualquer que seja a área (ou o mundo) de cobertura. No SL também é necessário saber o que é notícia, quais os aspectos éticos ali implicados e o que está em jogo na divulgação pública de informações. Muda só a plataforma. Muita gente hoje, no jornalismo convencional, usa o MSN para fazer entrevistas. Qual a diferença para o chat do SL a não ser o universo 3D? Nenhuma.

2) Como foi sua experiência dentro do Second Life e quando criou seu avatar? Está atuando ainda dentro do metaverso? Criei meu avatar bem antes de ser contratado para trabalhar lá dentro. O interesse inicial foi a diversão e um sentimento típico de “early adopter” – usar a novidade assim que é lançada, comportamento que tenho até hoje com serviços e produtos digitais. A experiência lá foi como a de muitos usuários: fui atrás de dinheiro e de formas de gerar conteúdo colaborativo relevante. Fiz algumas reportagens para um outro jornal em que trabalhava, o Diário da Região, em S.J. do Rio Preto/SP, passei a colunista de internet e SL e, depois, fui chamado pelo Estadão. Hoje, não atuo mais no metaverso como jornalista.

3) Quanto tempo fica online dentro do SL? Hoje, nem um minuto. O SL não faz mais parte da minha vida.

4) Usava seu avatar somente para o trabalho ou também como finalidade de jogar? Depois de contratado pelo jornal, só usei meu avatar com finalidade de trabalho. Não por causa de qualquer orientação nesse sentido, mas porque não dava mais tempo de “jogar” (embora não fosse um jogo propriamente dito). Com o tempo, também não houve mais interesse.

5) Sente realmente que viveu uma segunda vida dentro do SL? Não. Tenho uma opinião um pouco radical sobre isso. Muito pouca gente viveu de fato uma segunda vida lá – e, se diz que viveu, na minha visão está iludido com o formato. Simplesmente não há uma segunda vida a ser vivida. Daí veio muito do fracasso que hoje se vê no SL. Pensar o programa como uma tentativa de colocar a terceira dimensão na internet ou até de compartilhar conhecimento é mais justo e útil do que imaginar que ele serve para as pessoas se recriarem e buscarem outros sentidos para a vida. Eu teorizo melhor sobre o assunto numa reportagem grande no Link de 7/jan: http://cubomagicoblog.wordpress.com/2008/01/07/a-segunda-vida-ja-era-o-que-vem-agora/

6) Na sua opinião, o que leva as pessoas a criarem uma segunda vida através da internet e por que elas estão deixando de viver em sociedade para ficar na frente de um computador interagindo com outras virtualmente? Elas não estão deixando de viver em sociedade para ficar na frente de um computador. Quem faz isso (são pouquíssimos) tem certamente problemas de ordem psicológica (timidez excessiva, fobia social ou algo do gênero). O Hospital das Clínicas, em SP, mantém inclusive um programa para viciados em internet. O Second Life não deu certo justamente por isto: não há uma segunda vida a ser vivida. Falei disso na resposta anterior.

7) Como profissional de comunicação quais as vantagens que uma segunda vida pode trazer para a sua área de atuação? No meu caso, pensando de forma imediatista, trouxe um emprego. Mas que logo se mostrou inviável – por isso busquei outros caminhos no jornal, até chegar ao Link. Hoje, acho que não há vantagens específicas para um jornalista usar o SL. Profissionalmente falando. Mesmo porque, em 2008, o assunto sumiu do agenda-setting.

8 ) Quais as funções que exercia dentro do SL? Como é seu personagem? As características dele são as mesmas que as suas ou você criou um personagem literalmente? Eu era repórter. Buscava notícias em blogs, eventos e outras fontes lá dentro para depois publicá-las no jornal Metanews, atualizado diariamente. Eu também editava o jornal. A aparência do meu personagem nada tem a ver comigo na vida real, mas o modo de agir, comportamento e visão de mundo são indissociáveis. A não ser no caso dos atores profissionais (digo isso porque também estudo teatro e interpretação dramática), ninguém consegue manter uma outra personalidade online 100% do tempo – por isso acredito não haver personagens, mas representações de nós mesmos.

9) Qual foi a intenção da empresa onde você trabalha ao querer colocar um jornalista dentro desse universo? Foi uma estratégia de marketing. Quando o SL estava no auge, no primeiro semestre de 2007, seria interessante para a marca “Estadão” ser vinculada a iniciativas digitais – um momento em que a empresa buscava contornar o gap que tinha em internet. Tanto é que logo depois houve a reformulação do estadao.com.br, o lançamento do Limão e do Território Eldorado. Outros produtos devem vir até o final deste ano (um deles aqui). Quem pode falar melhor sobre isso são os profissionais da área de Mercado Leitor do Grupo Estado.

10) Você fez muitas amizades dentro do SL ou manteve só contatos profissionais? Nenhuma amizade. Só contatos profissionais que, hoje, não existem mais, visto que já não atuo no SL.

Written by Lucas Pretti

outubro 15, 2008 at 22:07

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