Escritor sempre opta pela palavra
A Mostra Sesc de Artes deste ano tem um projeto que está me impressionando, o Literatura Celular. Quem quiser, pode se cadastrar de graça para receber minicontos de escritores brasileiros contemporâneos. Os textos vêm por SMS, no celular. Veja alguns exemplos bem fodas e, se quiser, se cadastre:
——————–
O OUTRO
Mal encarou a própria sombra no muro, engoliu um ódio velho, pois descobriu por quem vinha sendo traído. Menalton Braff
——————–
Palavra ou mágica? Só uma opção. Escolheu. Errado: não era palavra. Mas escritor sempre opta pela palavra. Moacyr Scliar
——————–
A NOITE
Sentou-se (quando parecia flutuar) e levantou-se (quando parecia cair): sempre a mesma insônia. Maurício de Almeida
——————–
O FÓSSIL DE SILVIO SANTOS
Os dentes não estavam mais lá. Mas ele continuava sorrindo. Mário Bortolotto
——————–
TEMPESTADE
Negro, hipnótico, furioso, o mar brame, espuma, e chama. Ele vai. Maria José Silveira
——————–
O enfermeiro estava no elevador com o cadáver na maca. Acabou a luz. Ele acendeu um cigarro e ofereceu ao morto. Marcelo Rubens Paiva
——————–
O QUE DISSE A MORTE PARA O REI
Sim, eu era o mendigo… Marcelo Ariel
——————–
James, quase que eu piso nisso que você fez. Ainda bem que não pisou. Minha mulher é muito ciumenta. Lourenço Mutarelli
——————–
Mãe, Alice me bateu. Não liga, essa boneca é muito ignorante. Livia Garcia-Roza



