Cubo Mágico

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American way of life, eca!

com 2 comentários

Após a publicação deste artigo na revista Época duas ou três edições atrás, andei refletindo sobre o “pós-americanismo” tratado por Fareed Zakaria. Não que já seja uma situação consolidada, uma “nova ordem mundial”. Mas alguma coisa de anti-EUA realmente ecoa no mundo desde o 11/9.

A ficha caiu neste fim de semana, quando assisti ao já antigo (é de 2006) American Dreamz, filme que ironiza a sociedade de espetáculos em um dos mais rentáveis frutos, o programa American Idol (que no Brasil virou Ídolos e que não emplacou nenhum ídolo, só babacas adolescentes que não sobreviveram aos primeiros 15 minutos de fama). American Dreamz é um American Beauty dos anos 2000. Traduzido por aqui para Beleza Americana, o longa de Sam Mendes venceu o Oscar de 1999 com uma crítica mordaz aos costumes do Tio Sam.

Sinceramente, se assistisse ao “the dream with a z” (o ridicularizado slogan do programa fictício do filme) há uns 12, 15 anos, acharia o máximo. Bailes de formatura em que o capitão do time de basquete declara amor pela menina mais bonita da escola não me incomodavam. A crítica aos nerds, o entusiasmo dos “snickers”, o jeito molenga-malandro de andar com calça jeans e all star dos anos 80-90, a dancinha trash dos seriados Disney à la Hanna Montana… nada disso era problema. Aquilo era o mundo.

Não sei se foi o natural amadurecimento da idade ou se algo realmente mudou no mundo, mas hoje isso não passa pela garganta. Não é vergonha nem incomoda mais ser latino, as culturas européias e asiáticas (com exceçao do Japão pop, que conseguiu piorar o americanismo) têm seu lugar de honra e o Oscar, bah, não é mais “a” referência. Muito menos os musicais da Broadway e Andrew Loyd Weber.

Foi com American Dreamz — novamente a crítica feita por eles próprios — que despertei para o novo mundo. É muito melhor assim! Nada mais justo do que agradecer aos fundamentalistas de تورا بورا e aos loucos do 中国共产党.

Thanks, bin-Laden and Hu Jintao.

Escrito por Lucas Pretti

junho 10, 2008 às 2:55

Publicado em Contemporâneos, Crônicas

2 Respostas

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  1. O problema do brasileiro é q ele não quer ser latino. Mas toca o piano na imigração do mesmo jeito. Para eles, somos todos cucarachas.

    Luiz Raatz

    junho 13, 2008 em 21:58

  2. Tem razão, Raatz. Como diz um texto do bar Exquisito, pergunte a um canadense e ele certamente te achará meio… latino.

    Lucas Pretti

    junho 13, 2008 em 22:35


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